
Desde o primeiro Audax de Floripa acompanho a trajetória randoneé do amigo e sócio Luiz Pereira, que após completar os 200 km da ilha, já fez entre outros o de 300 km em Criciúma eu treino insano de 400 km de ida e volta até Blumenau, sozinho. Este ano pretende passar dos 300, 400 e chegar aos 600 km. Apesar de admirar os feitos, até então eu não me instigava a desafiar meus limites nesta modalidade, não entendia por que testar o corpo pedalando 200 km – e ainda duvidada que fosse capaz disso.

O Audax, desafio surgido na França, tem uma regra simples. O percurso deve ser completado a uma média de velocidade mínma de 15 km/h. Não há primeiro ou último colocados, apenas um tempo máximo para completar, que no de 200 km é de 13 h 30 m. Para ciclistas profissionais e os que treinam com frequencia, é um passeio. Para cicloturistas, manter essa média de velocidade é fácil até os primeiros 50 km, depois vira um desafio daqueles!

Fui acompanhar o Pereira na reunião pré-Audax, na noite anterior ao evento, onde foram distribuídos os números, camisetas, planilhas. O clima era de festa, uma família de centenas de ciclistas. Gostei da descontração. Entre as palavras da noite, me tocou a história do Fabiano, que ano anterior participou de tala no pé, logo após 2 meses de gesso, e completou o Audax. Nessa momento, ouvi o clique. E não era de um pedal SPD… era eu mesmo, curioso pela brincadeira.

Conversei com o Della, incansável organizador da prova, que vendo minha empolgação abriu uma exceção pro atrasadinho: eis que o desafiante número 241 largaria dali a poucas horas. Ainda tivemos um jantar de massas e sorteio de brindes antes de disparar para casa, preparar o equipamento e ter algumas preciosas horas de sono.
Seis da manhã , lá estávamos eu, Pereira, Marcelo e Fernando de Maringá entre outros duzentos e poucos cilistas, na checagem de segurança: placa de número, farol dianteiro, pisca traseiro, colete refletivo, capacete, tudo nos conformes.

Enquanto o sol mostrava seus primeiros raios, aquecíamos as pernas cruzando a ponte para o continente por cima. Foi uma experiência incrível, assim como pedalar pelas ruas tranquilas da Floripa-continente e São José nas primeiras horas de domingo.

De volta à ilha, dessa vez pela passarela, a massa se dispersou em pequenos grupos de ritmo semelhante. Foi marcante passar pela Base Aérea, caminho mais curto e seguro entre o centro e sul da Ilha, infelizmente só permitido aos moradores do “condomínio fechado de luxo” da Aeronáutica durante os dias normais. Espero que esse privilégio acabe e em breve a população tenha direito aos caminhos de sua própria cidade.

Após repor as energias no primeiro PC, percorremos o querido sul da ilha, até a Praia dos Açores. O sol que nos acompanhou desde o primeiro minuto à chegada começou a ficar forte e optei por pedalar mais rápido antes do calor intenso do meio-dia, alternando a ponteira com mais dois colegas, Fernandes e Danilo.

Ao chegar na Lagoa da Conceição não resisti ao lindo visual e me desgarrei para uma foto, a cada parada ou trecho de retorno dezenas de ciclistas passavam, fazendo festa.

No segundo PC (alto do morro da Barra da Lagoa) reencontrei o Pereira, como sempre brincando e de alto astral, e dali pedalamos juntos até o final. O trecho que se seguiu (do Km 100 ao 150) foi para mim o mais duro da prova, já sentia as panturrilhas e a cada km o bumbum cada vez mais quadrado…. Felizmente o trecho foi praticamente plano, com exceção do morro dos Ingleses.

Parei, tirei o tênis e o capacete, sentei na grama apoiado num coqueiro e descansei. O PC 3, em Ponta das Canas, parecia ter demorado o dobro do tempo para chegar – estava realmente cansado. Fui salvo pelo lanche, que tinha tudo à vontade – pães com geleia, maçã, banana, laranja e melancia, água e coca-cola. Eu que nunca tomo o “suco de dinossauro” , no dia me esbaldei e devo ter virado uns 2 litros ao longo dos PC’s. Só dispensei a club social recheada (com cheirinho de chulé ;)

O tal líquido que mais parece petróleo mostrou que funciona, meu ânimo aumentou nos 50 km finais e até voltei a fotografar. Num momento estávamos perto de Jurerê, era só pegar o Canto do Lamin, mas eis que a seta indicava outro caminho, uma volta gigante pela Vargem Pequena… e lá fomos nós pedalar mais e mais, e curtindo.

Em trechos como o da SC-403 de Jurerê (além dos Açores, Santinho e Ponta das Canas), era muito legal encontrar na ida os ciclistas que já estavam voltando, e na volta os que ainda estavam indo. Trocas de incentivo eram a tônica e ajudaram a passar rápido o trecho que restava.

Em Santo Antônio, paramos com o Erich para um salgado e água de côco, antes de curtir o fim de tarde típico de Cacupé: maravilhoso e cheio de subidas. Um encontro rápido com nosso amigo Adilson e logo estávamos comemorando a última subida no Saco Grande e a chegada ao final, já na boca da noite, após 12h de pedal.

Ali, um tanto cansados e muito felizes, tivemos mais um lanche, recebemos a medalha de participação e até uma massagem pra soltar a musculatura. Enquanto iso, saudamos a chegada d@s últimas participantes, com a grande amiga Hila, que obviamente curtiu pra caramba.

Estão de parabéns tod@s da equipe de apoio móvel e dos PC’s, polícias militar e especialmente a organização, por nos proporcionar apoio inpecável e um circuito perfeito. Se para quem mora na ilha estava ótimo, fico só imaginando para os que vêm de fora.

Uma sugestão para a organização é que ofereçam junto ao Audax 200 uma modalidade mais curta de 100 km, sem validade como Brevet, para incentivar pessoas que pedalam menos a entrar nesse mundo. Tomara que tenhamos mais e mais participantes nos anos seguintes, conhecendo a ilha e a si mesmos de uma forma tão especial.

Valeu, Audaxios@s! :Dudu (equipe CdS)
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