Posts com a Tag ‘DIY’

Como fazer um espelho retrovisor – ou sobre ciclistas e invenções

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Quem nunca adaptou, enjambrou, fez gambiarras, inventou novas soluções para a sua bicicleta? As gambiarras são a pura tradução da filosofia “ocotenho” -”é o que tenho”, ou seja, usar os materiais à mão – mais um dos neologismos do grande amigo Luiz Pereira, traduzida na prática através da solução pro parafuso que ele não dispunha pra prender o farol da bicicleta:

Seja por estar numa roubada sem ferramentas ou peças à mão, estar sem grana pra comprar o equipamento certo, não achar pra vender no Brasil “aquele” acessório gringo ou simplesmente por adorar inventar coisas novas, é muito comum no meio ciclístico adotar soluções caseiras pra consertar ou melhorar a bici, é a cultura do faça você mesmo, tão valorizada em alguns países sob o nome DIY (do it yourself) e vista aqui como “única solução de quem não pode comprar”. Puro engano, é dessas iniciativas que nascem grandes inventos.

É o caso de André e Ana Vivian do blog Predarilhos, que resolveram o problema de espaço pra guardar as bicicletas em casa. Criaram um suporte de teto para a bicicleta. Não satisfeitos, fizeram um protetor de corrente com pedaços de pneu usado.

Tesoura e pneu já cortadoCorte no pneuAbraçadeira já passada em um par de furos
Fotos: Pedarilhos

A Carry Freedom, fabricante americana de carretas para bicicleta de diversos tamanhos e modelos, disponibiliza um plano para a construção de carreta usando bambu, para ser usado por aqueles que jamais terão ace$$o às suas ótimas carretas.

As soluções artesanais não se restringem a produções de só uma unidade, feitas para o próprio inventor. Quando estive em Portland, vi muitas pessoas usando um alforje construído com latas plásticas usadas. Ele é fabricado pela loja cooperativa CityBikes, baseado em um plano disponível na internet e vendido a um preço bem justo, que ao mesmo tempo é acessível aos ciclistas e traz algum lucro para a loja

História Visceral by you.

O Márcio Campos, amigo ciclista de Sampa, vai descer até o RS de magrela, e tá preocupado com razão em conseguir ver o que se passa atrás. Aliás, é por esse mesmo motivo que retrovisor é obrigatório nas bicicletas (bem como campainha), porém além das bicis novas virem sem retrovisor, não se acha no mercado um espelho decente pra vender. Por isso, ele resolveu pôr a mão na massa (e aceitou compartilhar o processo com o mundo) :

faça seu retrovisor “the Flash”…

Há muito estou querendo fazer um retrovisor de capacete, a primeira vez que vi um foi em 96, com um colega de pedal de estradas, era importado, tenho fotos do cara com a coisa bizarra à época, rs… Essa coisa nunca pegou, e por aqui então, é novidade até hoje.

A minha viagem está perto e eu sem tempo pra resolver um monte de coisas. Uma resolvi. Poderia ter arranjado um espelho convexo, ter feito o corte com serra copo para vidro, e tal, e depois emoldurado com borracha, coldo uma haste com durepoxi, etc, etc…coisa que eu adoro fazer é trabalhar esse ferramental. Mas sem tempo, sempre que vou cuidar da viagem alguém me interronpe por trabalho, tive que garimpar e achei a solução “the flash”.

Espelho bucal de dentista nº 5, encontrado em lojas de material de odonto. Míseros R$ 4,00 ( tem lojas que é sub 3 reais), um espelho de ótimo acabamento e feito em aço inox finíssimo. E comprei ainda o cabo extensor por R$ 2,80. E por esse preço não precisa pensar muito se deve ou não improvisar haste, cortar espelho, lixar isso e aquilo, durepoxi, araldite…

O cabinho dele é reto, eu conformei em curva “s” para melhor posição :

foto: Márcio Campos

Foto: Márcio Campos

Olha o acabamento do espelho, e a haste :.

foto: Márcio Campos

Foto: Márcio Campos

Passei esmalte de unha como trava rosca na hastezinha do espelho :

foto: Márcio Campos

Foto: Márcio Campos

foto: Márcio Campos

Foto: Márcio Campos

foto: Márcio Campos

Foto: Márcio Campos

Fiz com cuidado um furo na lateral com broca de diâmetro menor que o da haste, meu capa é da idade da pedra (96), não tive dó, se o seu é novinho tem muitas aberturas de ventilação e vc pode fixar o espelho com braçadeiras Hellerman :

foto: Márcio Campos

Foto: Márcio Campos

foto: Márcio Campos

Foto: Márcio Campos

Eu não fixei a haste com cola de cara, apenas enfiei no isopor e já deu boa fixação sem movimento. Fiz assim para fazer o ajuste fino de ângulo durante o pedal inicial :

foto: Márcio Campos

Foto: Márcio Campos

foto: Márcio Campos

Foto: Márcio Campos

Após entortar o eixo e encontrar a posição ideal, eu passei cola araldite (cola branca deve servir também) na haste e coloquei definiivo, fazendo o último ajuste pedalando na rua ainda com a cola molhada :

foto: Márcio Campos

Foto: Márcio Campos

A experiência hoje no trãnsito foi muito boa, na estrada movimentada evitará ter de ficar virando pra trás o tempo todo. Vai ajudar muito a não me assustar com caminhões se aproximando rápido ou poder desenvolver melhor pedalando no meio da pista em estradas de acostamento ruim e pouco movimento, com um olho no retrovisor sempre.

É isso, fica a dica. Abraços, Márcio

ATENÇÃO – antes de fazer um espelho igual, leia a observação nos comentários do Post
Valeu, Márcio! Continue sendo inventivo! Quem tiver outras ideias e quiser divulgar, entre em contato que eu publico aqui.

A cozinha das bicicletas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

* escrito sem acentos, estou no exterior

Garfo, mesa, oleo e ate panela. Se juntarmos o vocabulario do mundo da bicicleta com a fome que da depois de pedalar, eh bem facil terminarmos o dia na cozinha.

Bike Kitchen by you.

Eh isso que muita gente em San Francisco, entre outras cidades nos Eua (e ate Sao Paulo!), fazem tres vezes por semana. E nao eh para fazer um lanche, e sim para trocar receitas. Moqueca, pizza, bolo? Nao, as receitas que se trocam na Bike Kitchen sao para consertar o pneu furado, regular o freio pra nao voar ladeira abaixo, tirar aquele barulhinho irritante da corrente, aprender a altura certa do selim.

Bike Kitchen by you.

Prato pronto ou vara de pescar?

No melhor estilo “nao entregue o peixe, ensine a pescar”, na BK ninguem faz nada por voce. Tocada por voluntarios que amam bicicletas e que acreditam que pra aumentar o numero de ciclistas nas ruas eh preciso espalhar o conhecimento sobre magrelas, ali voce entra pra sujar a mao de graxa e aprender, sai sem ficar na roubada quando sua bici tem um problema.

Bike Kitchen by you.

Pode ser coisa pequena, como freio desregulado, pneu furado, barulhos – neste caso, voce paga 5 dolares e pode usar a oficina por um periodo.

Eh possivel tambem usar a oficina quantas vezes quiser como local de manutencao, pagando uma anuidade.

Minha nova bicicleta velha

Mas a oficina, completissima, vai bem alem. Se voce nao tem bicicleta ou quer ter uma segunda, por 40 dolares recebe-se o ” direito de cavar”, que permite montar uma bicicleta inteira, a partir do zero.

Alimentada por doacoes das lojas de bicicleta, que mandam para a BK as pecas que seus clientes trocam – a maioria em bom estado – a oficina tem uma infinidade de opcoes em pecas, que voce pode ir juntando ao seu “frankenstein” sem pressa, desde que voce trabalhe nela pelo menos uma hora a cada duas semanas. Justo nao?

Bike Kitchen by you.

Bicis verdes

A sustentabilidade aflora em cada canto da BK: os liquidos usados para limpar graxa nao tem quimica, sao feitos a partir da casca de laranja. As pecas usadas para consertar e montar bicicletas, que sao as sobras das grandes lojas da cidade, seriam descartadas na sociedade super-consumista dos Eua. Alem de cabos de freio e camaras de pneu, nada eh vendido na oficina, ou voce conserta o que ja tem ou poe uma peca usada.

Bike Kitchen by you.

Neste momento, 22 de janeiro, 11 da manha (horario de SF), a Bike Kitchen esta mudando de lugar, pois o atual espaco ja nao comporta tantos ciclistas querendo meter a mao na massa. Para levar todas as ferramentas e pecas para o novo local, seria necessario um grande, poluente e custoso caminhao. Mas alem das implicacoes obvias, essa solucao nao combina com a filosofia DIY (faca-voce-mesmo) do grupo, assim os organizadores chamaram todas as carretas, alforjes e mochilas para fazerem juntas a mudanca para o novo e mais amplo local.

A ideia nao eh nova, a Shift2Bikes de Portland jah organizou a mudanca de casa de varias pessoas usando a bici, mas que eu saiba eh a primeira vez que vao levar uma oficina interia desse jeito! Quando a Dalia (minha querida magrela) ganhou um quadro novo, a BK foia sala de operacao, e levei as pecas para la no melhor estilo move-by-bike (com a carreta que em breve estara circulando pro Floripa!):

De alma renovada by edugreen.

Vida longa a Bike Kitchen, tomara que tenhamos logo muitos espacos como esse no Brasil!

Iniciativas semelhantes