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	<title>Ciclonomade Brasil &#187; ciclista</title>
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		<title>Estilos de ciclista</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 10:24:59 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Incrivelmente, tenho um tantinho de cada um &#8211; qual o seu?

Encontrado no Ciclovenção - arte original Meandros
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Incrivelmente, tenho um tantinho de cada um &#8211; qual o seu?</p>
<p><a href="http://ciclonomade.net/brasil/wp-content/uploads/2010/05/tipos-de-ciclista.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-94" title="tipos-de-ciclista" src="http://ciclonomade.net/brasil/wp-content/uploads/2010/05/tipos-de-ciclista.jpg" alt="" width="440" height="1830" /></a></p>
<p>Encontrado no <a href="http://ciclovencaourbana.blogspot.com/">Ciclovenção </a>- arte original <a href="http://meandros.wordpress.com/">Meandros</a></p>
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		<title>Manifesto Ciclista</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Apr 2007 20:04:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[por Fabio Veronesi
Baixe o Manifesto Ciclista na íntegra
Vários  ciclistas são feridos e mortos todos os dias no trânsito de nossas  cidades. A necessidade de combater esse fato é clara para quem respeita  qualquer vida.
Mas não é de qualquer vida que falamos.
Percebam  que todos tem necessidade de transportar-se cotidianamente. As  atividades [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Fabio Veronesi</p>
<p><a href="http://www.ta.org.br/site/news/arquivos/manifesto%20ciclista.pdf">Baixe o Manifesto Ciclista na íntegra</a></p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Vários  ciclistas são feridos e mortos todos os dias no trânsito de nossas  cidades. A necessidade de combater esse fato é clara para quem respeita  qualquer vida.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Mas não é de qualquer vida que falamos.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Percebam  que todos tem necessidade de transportar-se cotidianamente. As  atividades da vida – estudar, trabalhar, comprar, passear, etc. –  exigem transporte. Transporte é uma necessidade básica da vida moderna  tão importante quanto água encanada e eletricidade. Então, de uma forma  ou de outra, todos vão ter que se transportar.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Em  cima de uma bicicleta trafega uma pessoa que optou por utilizar energia  própria para se transportar. Alguém que, pelo menos naquele momento,  não está contribuindo com a grande obra da raça humana de transformar  cotidianamente bilhões de litros de petróleo em toneladas de monóxido  de carbono emitidas na atmosfera.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Essa  pessoa está diminuindo os gastos com saúde pública porque combate a  “falta de exercícios físicos regulares”, apontada como a principal  causa dos males modernos, como infarto, derrame, diabetes, câncer,  estresse, depressão, etc, etc., etc. O ciclista é alguém que coloca em  prática a tão falada utilização da biomassa como fonte de energia,  diminuindo estatísticas que apontam cerca de 40% da população com  excesso de peso por ingerir muito mais energia do que gasta.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">A  pessoa que passa andando na rua de bicicleta é alguém que está fazendo  bem ao mundo e a si mesma. Com esforço próprio combate a poluição e o  aquecimento global na prática, sem discursos panfletários, sem levantar  bandeiras, sem querer impor nada a ninguém, ela está contribuindo para  melhorar o ar que todos respiram hoje e o clima do planeta para as  futuras gerações.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Diante  desse entendimento percebe-se o quanto é inconcebível que um outro ser  humano, num automóvel, simplesmente atropele um ciclista. Recentemente  acompanhei de perto um caso em que um caminhão ao ultrapassar uma  bicicleta encostou com a roda da frente no guidão, derrubando a  ciclista – uma jovem de 23 anos &#8211; e passou por cima dela com a roda de  trás, resultando em morte instantânea. É um absurdo!</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Mas,  atenção motoristas! isso não é uma declaração de guerra. Pelo  contrário: é de paz! Porque a idéia é que todo mundo possa deixar seu  carro em casa quando sentir vontade e possa andar de bicicleta sem  colocar sua vida em risco. Também acredito, como ciclista, que nenhum  motorista quer nos atropelar. Então o que há de errado? Por que isso,  infelizmente, acontece diariamente?</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">A  resposta exige que paremos para pensar um pouco. A quem interessa uma  política e uma cultura que prioriza as vias de transporte para veículos  automotores? Qual será a influência da indústria automobilística nas  decisões dos governos e conseqüente direcionamento de recursos para  infra-estrutura que atende a nossa necessidade de transporte? E no  inconsciente coletivo das pessoas? Já parou para pensar que, desde que  você começou a assistir televisão na sua vida, você vê quase todos os  dias uma propaganda de carro? Que a idéia de que “quanto mais for feito  pelo automóvel, melhor” é um consenso forçado pela mídia e pelas  instituições financeiras, alegando que a economia do país irá parar se  a indústria automobilística diminuir sua sempre crescente demanda de  consumo?</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Com  propostas simples e baratas pode-se aumentar consideravelmente as  condições de segurança do ciclista e se promover o incentivo ao uso da  bicicleta, como a construção e reforma de acostamentos, instalação de  placas de sinalização, criação de ciclofaixas e ciclovias, construção  de bicicletários em terminais de ônibus, trem e metrô, campanha  publicitária de conscientização de motoristas de ônibus e caminhões,  etc.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Pesquisas  indicam que oitenta por cento dos percursos feitos no transporte de  pessoas por veículos automotores dentro das grandes cidades são, em  média, de menos de sete quilômetros. Um ciclista amador, sem muito  preparo físico, percorre essa distância no máximo em meia hora. Ou  seja, a imensa maioria das pessoas pode prover seu transporte diário  utilizando somente a bicicleta, gastando de uma hora à uma hora e meia  de seu tempo por dia. Centenas de pessoas já gastam essa energia em  academias de ginástica, andando em esteiras ou pedalando em bicicletas  ergométricas! Milhares de pessoas já perdem esse tempo presas em seus  automóveis enfrentando engarrafamentos.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Será  que existe algum temor dos governos ou das indústrias automobilísticas  em se implantar uma eficaz política de utilização da bicicleta como  meio de transporte cotidiano? Será que é por isso que não se  sensibilizam com os acidentes, que não se cria uma jurisprudência de  punição aos casos de atropelamento, que, apesar de sempre reafirmarem o  discurso de favorecimento às massas menos privilegiadas, os políticos  não efetuam obras mínimas que iriam beneficiar principalmente os que  tem poucos recursos e querem se transportar da maneira mais econômica  que existe, sem depender de ninguém? Será que só quem tem carro pode  ter a sensação de valorização que sente quem sai da porta de sua casa e  chega na porta de seu destino utilizando meio de transporte próprio?  Será que a bicicleta não seria uma ótima opção para os pais irem buscar  seus filhos na escola, melhorando o trânsito na frente das escolas e  aproximando pais e filhos pelo prazer de andar de bicicleta? E para ir  de casa para o trabalho, para escola ou para fazer compras?</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">A  bicicleta não atrapalha o automóvel na ocupação de espaço nas ruas e  avenidas. Pelo contrário. Lembrando que de uma forma ou de outra todos  tem que se transportar, conclui-se que cada motorista que deixa seu  carro em casa e sai de bicicleta abre espaço nas ruas, tanto quanto é a  diferença entre o espaço que ocupa um automóvel e uma bicicleta. Se  centenas, milhares de pessoas fizerem essa opção, o espaço aberto será  enorme, muito maior do que aquele que se consegue gastando fortunas do  dinheiro público com ampliações de avenidas e construção de elevados.  Considerando-se as pessoas que não tem automóvel e decidem trocar a  humilhação a que o transporte coletivo as submete pela dignidade de se  auto-transportar de bicicleta, seria razoável afirmar (supondo a média  diária de passageiros por viagem e o fato de muitas pessoas utilizarem  duas conduções para chegar a seus destinos) que a cada trinta pessoas  que fizerem essa opção se tornará desnecessária a circulação de um  ônibus. Podemos considerar ainda, o enorme ganho de espaço gasto nas  ruas com o estacionamento dos automóveis que ficariam em suas garagens.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Assim  como acontece com o espaço na malha viária, a bicicleta não concorre  com o automóvel na ocupação de espaço no mercado consumidor,  prejudicando a economia. Pelo contrário. O incentivo ao uso da  bicicleta abre um novo e promissor mercado de trabalho, na indústria,  no comércio e nas microempresas caseiras abertas como oficinas de  manutenção. O automóvel é uma invenção humana maravilhosa que sempre  vai ter seu lugar e sua necessidade. Se você tem condições de comprar e  manter um automóvel, ótimo! Mas, que tal poder sair de casa de  bicicleta um dia ou outro? Ou saber que seu filho pode andar de  bicicleta pelas ruas sem correr perigo de vida? Que tal economizar um  pouco dos gastos mensais com combustível, fazer bem à própria saúde e  preservar seu automóvel? Está com preguiça de andar de bicicleta hoje?  Ótimo, vá de automóvel! E se houverem vários ciclistas nas ruas, o  trânsito estará, sem dúvida, melhor para você trafegar com seu veículo.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">E  mesmo que não seja o caso de economizar. Vamos supor que você seja uma  das pouquíssimas pessoas que tem recursos para comprar e manter um,  dois, três automóveis. Ótimo! Parabéns para você. Isso sem dúvida é  resultado de esforço seu ou das pessoas próximas a você. Mas, as  condições financeiras que permitem essa posse também permitem um maior  desenvolvimento da capacidade de reflexão e visão do mundo e dos  motivos que o levam a estar como está. Permite perceber, por exemplo,  que a Guerra do Iraque está totalmente associada ao petróleo. Que o  poder que o petróleo tem é dado por nós quando o consumimos e quanto  mais o consumimos mais poder ele tem. Que o petróleo é um recurso  natural finito, demorou milhares de anos para maturar-se no subsolo e  estamos consumindo-o desenfreadamente, pouco nos importando com as  próximas gerações, nem em termos da sua sobrevivência energética, nem  em termos das condições ecológicas que preparamos para elas. Que  estamos, com isso, imitando e obedecendo diretrizes de consumo, não só  de petróleo como de tudo mais, impostas pela mesma linha ideológica que  não assina o Protocolo de Kyoto para não diminuir a marcha sempre  crescente da sua economia. Acho difícil para uma pessoa esclarecida não  perceber que, no fim das contas, quem está sendo consumido  compulsivamente é o próprio Planeta Terra. Respeitar o ciclista que  anda nas ruas significa associar-se a ele na luta contra tudo isso.  Nesta revolução não é necessário que todos andem de bicicleta, mas é  necessário que todos contribuam para melhorar as condições de segurança  de quem quer andar de bicicleta.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Há  pessoas que andam de bicicleta por falta de opção financeira e há  pessoas que andam de bicicleta por absoluta opção ideológica! A questão  é de mudança cultural, revolução de costumes. Não é mais tempo de  pegar-se em armas para fazer revolução. Ninguém quer ver a si, aos  amigos ou parentes, preso, morto, sumido ou torturado. O que fazer,  então, se a necessidade de fazer alguma coisa contra esse estado de  coisas nasce clara na alma das pessoas, principalmente dos jovens, que  não tendo como dar vazão a essa ânsia, transformam-se em rebeldes,  direcionando sua revolta para o vandalismo e o banditismo? A bicicleta  é uma revolução social, econômica, política e ideológica possível aqui  e agora!</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Quando  vejo nas grandes avenidas das grandes metrópoles, centenas de  automóveis indo na mesma direção, a grande maioria com apenas um ser  humano dentro, com sua atenção tomada pela responsabilidade de dirigir,  caminhando lado a lado com outros seres humanos hermeticamente isolados  uns dos outros dentro de suas “caixinhas” móveis sem se comunicar,  penso no quanto isso poderia ser diferente. Existem tantas outras  possibilidades mais interessantes, mais socializantes, mais prazerosas,  mais econômicas e menos poluidoras para atender a necessidade humana de  transporte. Se tivéssemos dado prioridade a um sistema de transporte  coletivo bom, confortável e de preço razoável, poderíamos ter  direcionado os recursos gastos na construção e manutenção da imensa  malha asfáltica para a construção de uma imensa malha ferroviária e  metroviária. Mas, infelizmente, estamos no mundo do “se”, quando  falamos de transporte coletivo decente. Temos, então, que usar de  criatividade para acharmos uma opção de transporte mais prazerosa,  socializante, econômica e menos poluente com as condições que temos!  Temos o que temos e não adianta apontar o dedo sempre para o “sistema”.  A bicicleta é uma possibilidade real de começarmos a agir já! Já existe  legislação, já existem ruas, avenidas e estradas, já existem bicicletas  e já existe a necessidade urgente de fazermos alguma coisa para  melhorar as condições de vida humana neste planeta para nós e para as  futuras gerações.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">A  bicicleta é um invento da mesma geração que inventou o automóvel. Ambos  veículos desenvolveram suas tecnologias ao longo do séc. XX. A  principal diferença entre eles é a questão energética, no que diz  respeito ao rendimento dessas máquinas e na sua fonte de energia.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Cerca de 85% da energia consumida por um automóvel é gasta para transportar a ele mesmo.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Durante  milhões de anos de evolução o ser humano foi desenvolvendo e  aprimorando a capacidade de se equilibrar e deslocar sobre dois apoios,  até se tornar o animal de melhor rendimento em toda natureza no que diz  respeito ao gasto de energia para deslocamento sobre a superfície  terrestre. Foi andando que o ser humano se espalhou pelos quatro cantos  do mundo. É óbvio que não somos os que atingem maior velocidade, mas  somos os animais que menos gastam energia – andando gastamos somente  0,75 calorias por grama de peso por quilômetro percorrido, num tempo  médio de dez minutos. A bicicleta é uma invenção que utiliza esse  movimento humano típico e super-especializado de empurrar o chão para  baixo e para trás a que chamamos “andar”, para gerar energia em um  veículo de transporte. Andando de bicicleta o ser humano se torna o  animal de maior rendimento e desempenho, atingindo índices  inimagináveis para qualquer outra máquina ou estrutura biológica –  gastamos somente 0,15 calorias por grama de peso por quilômetro  percorrido, o que fazemos num tempo médio de 3 minutos. Um casamento  perfeito entre biologia e tecnologia.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Na  bicicleta dependemos de energia própria, não há, portanto, concorrência  entre as pessoas que buscam transportar-se, pelo contrário, ao nos  unirmos com outros seres humanos ganhamos incentivo para ir mais longe.</p>
<p><span lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">O  automóvel depende de energia externa, limitada e não-renovável, o que  gera concorrência entre os que dela dependem. O automóvel é um dos  melhores símbolos físicos da ideologia capitalista. Os </span><span lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT"><em>slogans </em></span><span lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">de  suas propagandas trabalham sempre com termos como mais potente, mais  veloz, maior em sua categoria, mais econômico, mais bonito, mais  robusto, mais confortável, etc., etc., etc.</span></p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">A  modernidade diminuiu o tempo de comunicação e de transporte. Criou-se  uma falsa ilusão de que esse movimento tem que ser sempre crescente  para ser melhor. Estamos nos entupindo com veículos velozes que não tem  espaço para andar. Chegamos a um ponto em que um veículo menor em  tamanho e velocidade, como a bicicleta, tem melhores condições de se  locomover e gasta menos tempo.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Poucos  sabem ou se lembram que o código brasileiro de trânsito, assim como a  maioria das legislações sobre o trânsito no mundo todo, determina que o  automóvel dê preferência à bicicleta nas ruas e avenidas. Ou que a  distância mínima, prevista pela lei, para ultrapassar uma bicicleta é  de 1,5 metros e caso não haja condições de ultrapassagem respeitando  essa distância mínima, o automóvel deve aguardar, pois a bicicleta não  pára o trânsito, ela é o próprio trânsito naquele momento. Na grande  maioria das ruas a bicicleta trafega em velocidade acima da mínima  legalmente permitida para os próprios automóveis (que é exatamente a  metade da máxima apontada nas placas). Quero dizer com isso que as  condições legais para utilização da bicicleta já estão garantidas.  Trata-se mais de começarmos a respeitá-las, de criarmos uma cultura  onde a bicicleta tenha seu espaço assegurado, do que ficar lutando  contra governos ou esperando soluções dadas por alguém externo a nós.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Agora,  que não se iludam os que querem começar a utilizar a bicicleta para  transportar-se: vão entrar numa guerra! Uma guerra que já está sendo  travada nas ruas e que deixa centenas de mortos e feridos todos os  dias. Não uma guerra contra os motoristas e os automóveis (repito), mas  uma guerra contra uma ideologia. Andar de bicicleta é lutar contra um  sistema que associa respeito a posse e exibição. Lutar através de  atitude própria, pela ação direta, cotidiana, pelo ato de pedalar em  si, pela força da humildade num mundo de ostentação.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Como  em toda guerra, a sobrevivência depende das estratégias que elaboramos.  O ciclista deve se equipar com tudo que possa diminuir a possibilidade  de acidentes e que esteja ao seu alcance providenciar: espelho  retrovisor, reflexivos e iluminação pisca-pisca para noite, capacete,  buzina, etc. Não adianta bater de frente com os automóveis, mas deve-se  ocupar o espaço que é do ciclista, porque ele existe e é um direito seu  ocupá-lo. O ciclista também paga os impostos que construíram e que  fazem a manutenção da malha asfáltica.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">O  ritmo frenético do trânsito nas grandes cidades é mais uma mania do que  uma necessidade. Uma mania que acaba custando muito mais, não só em  acidentes como no próprio estresse que gera, do que o pouco tempo que  se economiza com isso. O aumento da circulação de bicicletas nas ruas  pode baixar um pouco esse ritmo alucinante que está a serviço de quem  associa tempo a dinheiro e não à vida. Cabe a bicicleta trazer mais  humanidade ao trânsito, andar numa velocidade em que se possa ver as  pessoas e as coisas do mundo, sem tratá-las como externas a nós.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">A  luta do ciclista é contra a ideologia que dá prioridade máxima ao  automóvel &#8211; a locomotiva histórica do sistema capitalista. Mas, apesar  de estarmos lutando contra um sistema econômico-social, são as pessoas,  influenciadas pela educação e adaptação ao modo de pensar desse sistema  que tomam as atitudes cotidianas que enfrentamos no trânsito. De certa  forma, não existe esse tal “sistema”. Ou seja, ele existe através das  atitudes das pessoas. A ideologia do sistema, o conjunto de idéias  compartilhadas, é imposto pela educação e depois é mantido como verdade  aceita através de muita propaganda. Mas… como tratam-se de atitudes  pessoais, de individualidades representando o sistema, de seres humanos  repetindo padrões de conduta, esse sistema pode ser modificado também  por atitudes, pelo exemplo contrário ao estabelecido.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Os  ciclistas que enfrentam hoje o trânsito das cidades são pioneiros  abrindo o espaço para o futuro. Foi-se o tempo em que a rebeldia  revolucionária era representada pela moto. Ciclismo é sinônimo de saúde  e juventude, indiferentemente da idade. A melhor estratégia para essa  luta é conseguir mostrar o quanto é bom andar de bicicleta. Criar uma  irmandade entre todas as pessoas que andam de bicicleta. Ciclistas  devem se cumprimentar quando se cruzam nas ruas, deixar extravazar o  prazer que estão sentindo invadidos por endorfinas criadas pelo esforço  físico e pelo andar numa velocidade em que se pode admirar a paisagem e  as pessoas. A revolução ciclista é lúdica! A bicicleta é um brinquedo  de criança que se transforma em prazer e opção de transporte para o  adulto.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Existem  muitos motoristas e muitos momentos propícios ao descuido com a  bicicleta no trânsito, à sua não consideração. E basta um momento  desses para levar a vida do ciclista embora. Sendo assim, o cuidado do  ciclista consigo mesmo, deverá ser maior do que o normal. Porque é  normal um automóvel entrar à direita e fechar a passagem da bicicleta;  é normal um motorista se irritar por não conseguir ultrapassar  rapidamente um ciclista; é normal que numa pista simples de mão dupla  uma motocicleta ultrapasse perigosamente um automóvel e não considere o  fato desse automóvel estar ultrapassando uma bicicleta e é normal que o  motorista dê espaço à motocicleta e feche a passagem da bicicleta; é  normal muitos motoristas em muitos momentos cotidianos, estarem  distraídos no trânsito e nem enxergarem a bicicleta.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">O  desejo de maior cuidado do ciclista consigo mesmo se alimenta do  aumento de sua auto-estima ao estar pedalando. Ele deve se lembrar que  é um revolucionário revolucionando a cada volta das rodas de sua  bicicleta sobre o chão, os costumes e as atitudes, no sentido de  construir um planeta melhor para as futuras gerações. Quem deve ter a  maior consciência ideológica, ter orgulho de si e certeza da força de  sua ação é, em primeiro lugar, o próprio ciclista.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Pelo  código de trânsito, o lugar do ciclista é na mesma mão dos automóveis,  à direita, procurando ceder espaço para ser facilmente ultrapassado. É  exatamente essa a estratégia de ocupação do terreno: pelas beiradas do  sistema estabelecido. Não importa a aparente desvalorização que esse  lugar possa parecer ter no universo de potência e velocidade promovido  pelas indústrias automobilísticas. Transportar-se movido por energia  própria abre a possibilidade de satisfação pessoal fora da ostentação  material e da competição. Também é lugar do ciclista o centro da pista  ao perceber-se em velocidade equivalente à do fluxo de trânsito. E,  finalmente, é lugar do ciclista ficar à esquerda dos automóveis ao  ultrapassá-los &#8211; cena cada vez mais comum em engarrafamentos, além de  ser o lugar certo de quem ultrapassa, evita ser pego por uma porta  aberta de repente por um passageiro que vá descer.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Os  automóveis devem dar preferência para o ciclista, não só porque isso  está previsto no código, mas pela compreensão de que o ciclista gasta  energia física e cada vez que se vê obrigado a parar, perde toda  energia que gastou para chegar até aquela velocidade em que estava  trafegando. As bicicletas devem ser ultrapassadas a uma distância  segura, não só porque isso está previsto no código, mas porque seu  movimento é oscilatório. Se o ciclista tentar andar em linha reta ele  cai. A oscilação é intrínseca ao equilíbrio em duas rodas, quanto menor  a velocidade maior a oscilação, exatamente como ocorre com o giro de um  peão. Respeitar a distância de ultrapassagem é fundamental quando se  entende que ao mais leve toque de um automóvel, o ciclista perde o  equilíbrio e as conseqüências podem ser fatais. O motorista deve ter  calma para ultrapassar um ciclista que trafega à sua frente porque o  ciclista não está parado, mas andando em velocidade menor. E sempre  haverá um veículo à frente trafegando em velocidades menores, sejam  caminhões, ônibus ou carros e se o motorista for ter um colapso nervoso  cada vez que alguma coisa diminui sua marcha ou que gasta um pouco de  tempo para ultrapassar de forma segura, ele vai acabar louco!</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Lugar  de bicicleta não é na calçada, como pensam equivocadamente algumas  pessoas. Calçada é para pedestres. Lugar de bicicleta é na rua! As ruas  e avenidas, cobertas de asfalto – subproduto de petróleo, são o palco  da revolução ciclista. As bicicletas podem e devem ocupar as ruas e  avenidas, quanto mais melhor. As bicicletas podem e devem ocupar as  estradas, quanto mais melhor. Existem milhares de jovens cheios de  energia, com muito desejo de viajar, conhecer lugares, mas sem  viabilidade financeira para tal. Retirados os custos de transporte e  estadia sobram basicamente os de alimentação diária que existem  estejamos onde for. Pensem na mistura desses ingredientes: bicicleta,  com bagageiro e alforjes (ou mochilas velhas amarradas), barraca, saco  de dormir, um kit de manutenção básica (que cobre 90% das encrencas que  podem ocorrer) com câmera de pneu, bomba, um pequeno jogo de  ferramentas, uma corrente e óleo lubrificante, um mês de férias e um  grupo de amigos! Uma viagem de bicicleta, onde percorremos cerca de 100  Km por dia, que permite montar um roteiro interessante em todas as  direções que se deseje ir, pode ser cumprido numa média diária de 5  horas pedalando por qualquer ciclista amador que ande de bicicleta nos  fins de semana ou já esteja pedalando pela cidade há algum tempo.  Manter uma velocidade média de 20 Km/h numa estrada asfaltada, não  requer grande esforço e é considerada bem baixa por quem viaja sempre  de bicicleta. O condicionamento físico vai crescendo, junto com o  prazer, na própria viagem. Na verdade numa viagem assim não se  priorizam as metas de distância, fica-se onde quiser, por quanto tempo  for. Andando de bicicleta, a velocidade permite admirar detalhes da  paisagem que são perdidos por quem viaja de carro. Viajar de bicicleta  é delicioso! E atenção comerciantes de pequenas cidades e de beira de  estrada de todo Brasil, viajar de bicicleta dá uma fome! E mais: deu  qualquer problema, deu preguiça, acabaram as férias e você está a  centenas de quilômetros de casa? – basta pegar um ônibus e colocar a  bicicleta no bagageiro. Quando chegar em sua cidade, já tem condução  própria da rodoviária até sua casa.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">É  importante destacar que a maioria das pessoas acha que o problema de  segurança da bicicleta se resolve com a construção de ciclovias.  Acontece, porém, que apesar de serem muito bem vindas (principalmente  para servir de espaço seguro para os novos ciclistas adquirirem preparo  físico, o que ajuda muito no enfrentamento do trânsito nas ruas) por  serem oásis de tranqüilidade, não são somente ciclovias que queremos!  Porque toda ciclovia sempre acaba numa rua e, se não houver uma cultura  de convivência pacífica entre bicicletas e veículos automotores, vai  ser ali, na rua, que o acidente vai acontecer. Não são somente  ciclovias que queremos porque não podemos e não precisamos esperar a  boa vontade de governos que estão submissos à força econômica da  indústria automobilística para iniciarmos nossa revolução cotidiana.  Não precisamos!</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Cerca  de 20% da população tem a possibilidade de comprar e manter automóveis,  mas 100% da população é afetada pelo direcionamento da arquitetura  urbana para priorização do trânsito de automóveis e todos pagam os  impostos que constroem as vias por onde eles transitam. A bicicleta é  uma forma de democratizar a malha asfáltica, diminuir essa diferença.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">A  experiência européia, onde se encontram os países que tem o maior  número de ciclovias do mundo, nos mostra que a construção de ciclovias  não diminuiu muito o número de acidentes entre automóveis e ciclistas  que acontecem nas ruas.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">A  experiência da China, onde se encontra o maior número de bicicletas  andando nas ruas e onde o índice proporcional de acidentes entre  automóveis e bicicletas é o menor do mundo, nos prova que não só a  convivência harmoniosa nas ruas é possível como faz muito bem para  economia de um país. Mostra também que num país onde muitos andam de  bicicleta o mercado de automóveis se mantém aquecido.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Da  China veio o conceito de “Massa Crítica”. Nasceu da observação de um  fenômeno que ocorre com o fluxo das bicicletas nos cruzamentos. Ao  chegar a um cruzamento, caso o fluxo esteja aberto para via que se  deseja entrar, a bicicleta que chega, pára e espera. Outras bicicletas  vão chegando e parando, formando uma massa de espera. Quando essa massa  atinge um ponto crítico, ou seja, quando o volume de bicicletas paradas  supera as que estão em trânsito, a “massa crítica” formada invade a via  principal e estabelece uma nova ordem de fluxo. Quando a massa formada  pelas bicicletas que vinham no outro sentido e passaram a esperar,  chega também ao seu ponto crítico, inverte novamente a ordem de fluxo.  E assim por diante. Esse fenômeno é auto-gerido, acontece naturalmente.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">Transcendendo  o conceito, o termo “Massa Crítica” ou “Critical Mass” dá, hoje, nome  ao movimento mundial que busca unir a força de todos os ciclistas na  formação de uma grande massa crítica (acrescendo ao significado:  pessoas com opinião crítica sobre a situação gerada pelo consumo  alucinante de petróleo) que está invadindo naturalmente as ruas do  mundo inteiro.</p>
<p lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">O  movimento de formação da Massa Crítica é, até que enfim, a esperança de  um mundo melhor construído com ações diretas. O resgate do orgulho  pessoal de estar fazendo algo concreto contra o sistema capitalista,  mas sem gerar violência. Enfim, uma possibilidade real de revolução  social se concretizando a cada revolução da roda de uma bicicleta. A  opção possível de transformar a revolta contra o aquecimento global e a  devastação consumista do nosso planeta em atitude, saúde e prazer.</p>
<p><span lang="pt-PT" xml:lang="pt-PT">A bicicleta é, sem dúvida, o veículo do séc. XXI. Nós só estamos no começo dessa história.</span></p>
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		<title>Bicicletada!</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Feb 2007 20:07:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ciclonomade</dc:creator>
				<category><![CDATA[bicicletada]]></category>
		<category><![CDATA[ativismo]]></category>
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    A bicicletada é uma atividade autogerida e consensual entre os  participantes, uma passeata sobre rodas movida a arroz e feijão, do  patinete ao skate, passando pela bicicleta. Defende os direitos e  esquerdos do ciclista, do pedestre e dos sem-carro, buscando um meio de  transporte mais humano e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
    A bicicletada é uma atividade autogerida e consensual entre os  participantes, uma passeata sobre rodas movida a arroz e feijão, do  patinete ao skate, passando pela bicicleta. Defende os direitos e  esquerdos do ciclista, do pedestre e dos sem-carro, buscando um meio de  transporte mais humano e ecológico.</p>
<p>É isso aí, fique ligado nas atividades da <a href="http://www.bicicletada.org/">Bicicletada </a>na sua região!</p>
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		<title>Atropelar ciclista e pedestre deve virar crime doloso</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Feb 2007 20:18:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ciclonomade</dc:creator>
				<category><![CDATA[legislação]]></category>
		<category><![CDATA[ciclista]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais uma notícia importante…
Projeto de lei da dep. Solange Amaral (PFL-RJ) pretende corrigir um  absurdo da lei: ao atropelar um pedestre ou ciclista, mesmo que este  esteja sobre a faixa de pedestres ou ciclovia, ou até mesmo se o  motorista estiver bêbado, este infrator é julgado (quando muito.. ) por  homicídio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma notícia importante…</p>
<p>Projeto de lei da dep. Solange Amaral (PFL-RJ) pretende corrigir um  absurdo da lei: ao atropelar um pedestre ou ciclista, mesmo que este  esteja sobre a faixa de pedestres ou ciclovia, ou até mesmo se o  motorista estiver bêbado, este infrator é julgado (quando muito.. ) por  homicídio culposo, ou seja, sem a intenção de matar.</p>
<p>Assim, mesmo sabendo que está pondo a vida dos outros em risco, o  que caracteriza o dolo ou intenção, essa figura no máximo prestará um  serviço comunitário ou pagará umas tantas cestas básicas para entidades  paternalistas….</p>
<p>Com a nova lei, o mesmo terá a carteira cassada e poderá pegar até 6  anos de xadrez, o mínimo merecido… assim, vamos dar uma força para que  este projeto de lei seja aprovado e que, quando em vigor, estimule  motoristas a serem mais cuidadosos com pedestres e ciclistas, o que  considero a melhor solução para nossa segurança!</p>
<p>Abaixo da mensagem encaminhada, segue a íntegra do Projeto de Lei.  Reparem que ele proíbe explicitamente a circulação de ciclistas na  contra-mão, inclusive com pena de apreensão da bicicleta. Viva!</p>
<p>Para ler o Projeto na íntegra e acompanhar a tramitação, veja a <a href="http://www.camara.gov.br/sileg/MostrarIntegra.asp?CodTeor=434194">página dele no site da câmara</a></p>
<p><a href="http://noticias.vrum.com.br/veiculos_correiobraziliense/template_interna_noticias,id_noticias=21370&amp;id_sessoes=4/template_interna_noticias.shtml">Artigo do Correio Braziliense</a> com mais informações sobre a tese jurídica da troca de culpa para dolo</p>
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