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A cozinha das bicicletas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

* escrito sem acentos, estou no exterior

Garfo, mesa, oleo e ate panela. Se juntarmos o vocabulario do mundo da bicicleta com a fome que da depois de pedalar, eh bem facil terminarmos o dia na cozinha.

Bike Kitchen by you.

Eh isso que muita gente em San Francisco, entre outras cidades nos Eua (e ate Sao Paulo!), fazem tres vezes por semana. E nao eh para fazer um lanche, e sim para trocar receitas. Moqueca, pizza, bolo? Nao, as receitas que se trocam na Bike Kitchen sao para consertar o pneu furado, regular o freio pra nao voar ladeira abaixo, tirar aquele barulhinho irritante da corrente, aprender a altura certa do selim.

Bike Kitchen by you.

Prato pronto ou vara de pescar?

No melhor estilo “nao entregue o peixe, ensine a pescar”, na BK ninguem faz nada por voce. Tocada por voluntarios que amam bicicletas e que acreditam que pra aumentar o numero de ciclistas nas ruas eh preciso espalhar o conhecimento sobre magrelas, ali voce entra pra sujar a mao de graxa e aprender, sai sem ficar na roubada quando sua bici tem um problema.

Bike Kitchen by you.

Pode ser coisa pequena, como freio desregulado, pneu furado, barulhos – neste caso, voce paga 5 dolares e pode usar a oficina por um periodo.

Eh possivel tambem usar a oficina quantas vezes quiser como local de manutencao, pagando uma anuidade.

Minha nova bicicleta velha

Mas a oficina, completissima, vai bem alem. Se voce nao tem bicicleta ou quer ter uma segunda, por 40 dolares recebe-se o ” direito de cavar”, que permite montar uma bicicleta inteira, a partir do zero.

Alimentada por doacoes das lojas de bicicleta, que mandam para a BK as pecas que seus clientes trocam – a maioria em bom estado – a oficina tem uma infinidade de opcoes em pecas, que voce pode ir juntando ao seu “frankenstein” sem pressa, desde que voce trabalhe nela pelo menos uma hora a cada duas semanas. Justo nao?

Bike Kitchen by you.

Bicis verdes

A sustentabilidade aflora em cada canto da BK: os liquidos usados para limpar graxa nao tem quimica, sao feitos a partir da casca de laranja. As pecas usadas para consertar e montar bicicletas, que sao as sobras das grandes lojas da cidade, seriam descartadas na sociedade super-consumista dos Eua. Alem de cabos de freio e camaras de pneu, nada eh vendido na oficina, ou voce conserta o que ja tem ou poe uma peca usada.

Bike Kitchen by you.

Neste momento, 22 de janeiro, 11 da manha (horario de SF), a Bike Kitchen esta mudando de lugar, pois o atual espaco ja nao comporta tantos ciclistas querendo meter a mao na massa. Para levar todas as ferramentas e pecas para o novo local, seria necessario um grande, poluente e custoso caminhao. Mas alem das implicacoes obvias, essa solucao nao combina com a filosofia DIY (faca-voce-mesmo) do grupo, assim os organizadores chamaram todas as carretas, alforjes e mochilas para fazerem juntas a mudanca para o novo e mais amplo local.

A ideia nao eh nova, a Shift2Bikes de Portland jah organizou a mudanca de casa de varias pessoas usando a bici, mas que eu saiba eh a primeira vez que vao levar uma oficina interia desse jeito! Quando a Dalia (minha querida magrela) ganhou um quadro novo, a BK foia sala de operacao, e levei as pecas para la no melhor estilo move-by-bike (com a carreta que em breve estara circulando pro Floripa!):

De alma renovada by edugreen.

Vida longa a Bike Kitchen, tomara que tenhamos logo muitos espacos como esse no Brasil!

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Agito nos States.. até o último momento!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Tem horas que a inspiração pra escrever não aparece.. foi o que aconteceu nos últimos dois meses nos Estados Unidos. E não foi por falta de acontecimentos. Talvez a cabeça estivesse ainda processando tudo, agora no sossego da ilha tudo ficou mais fácil!

Mas voltemos à Califórnia. Nossa estada em Mendocino (ver o post anterior)  era para ser curta, 2 a 3 dias. O encontro com Chimi e Rich foi o início do prolongamento, compartilhamos com eles o camping de verão pra crianças, com direito a Hot Tub em meio à floresta.

Que tal nós dois... by you.
Hot tub in Mendocino Woodlands

Ficamos mais alguns dias na cidade pra curtir o aniversário da Tati, remando na costa e no Big River de Mendocino,  e escrever uma matéria, que até agora não vingou. O enfoque é na arquitetura charmosa, na natureza exuberante com costões escarpados e rios azul turquesa, e nos artistas hippies que mudaram pra lá nos anos 70 e ficaram. Foi no Frankie’s, mistura de sorveteria e casa de shows e reduto dessa galera autenticamente hippie, que conhecemos Liz, radialista que comanda um programa de world music, uma apaixonada por música brasileira e que nos acolheu de braços abertos.

Polinésia? by you.
Mendocino Big River

Sabendo da nossa necessidade de trabalho para continuar viajando, Liz e seu namorado, Frank, agilizaram de irmos pra casa dele, na Lost Coast, pois os vizinhos plantam maçã e precisavam de ajuda nessa época. E lá fomos pra Whale Gulch, localidade sem mercado, padaria, bar, nem eletricidade! Só uma escola, plantações e geradores. A casa do Frank, onde ficamos sem nenhum gasto além de comida, é movida a energia solar e uma micro hidrelétrica.

Frank & the Lost Coast by you.
Frank e a (quase) inacessível Lost Coast

Alguns dias de trabalhos como picar lenha e cavar buracos, logo chegou a hora de trabalhar na colheita, foi ótimo com 10h por dia logo juntamos a grana da passagem para a Nova Zelândia. Nesse meio tempo, Tati fez um corte no pé e no penúltimo dia eu caí de bicicleta, me ralando todo principalmente no punho e joelho esquerdo (sempre ele!), até com uma suspeita de fratura no punho. Já era hora de sair do “meio do mato” e a carona com Liz foi providencial. Eita tempo de benção e zica!

DSC_6968 by you.
Liz, the goddess of the station

Seguimos de Mendocino pra San Francisco de ônibus já que eu não podia pedalar. Cuidei bastante dos machucados, pois já estava chegando o dia de meu aniversário, 31 de outubro e Halloween, e nesse ano caiu na sexta-feira, dia da Critical Mass (bicicletada). Imagina, dois ícones de San Francisco, Halloween e Critical Mass, e nós lá!Já conseguia dobrar o joelho e a ameaça de fratura deixada pra trás. Pra exorcisar, minha fantasia foi de múmia/acidentado, depois nem queria mais olhar… a pedalada foi ótima, altíssimo astral, todo mundo fantasiado, muita música, lindo!

De tudo mesmo.... by you.
Tem de tudo na Critical Mass, especialmente no Halloween!

Dois dias depois, participamos da procissão do Dia de Los Muertos, a tradição mexicana de finados, que parecendo um desfile de carnaval, cultua os mortos e celebra a vida. Nossa guia para a procissão foi a Adriana, mexicana “da gema”, o que deu uma dimensão extra para a noite, com pré e pós festa.

Mona @ high style by you.

Mona Caron e seu companheiro em grande estilo

Nas semanas seguintes, em meio à aliviante vitória do Obama, preparativos para a nova fase: Nova Zelândia. Nos Estados Unidos viajei com uma carreta pois o quadro da Dália não aguentava tantos alforjes. Depois de me informar como era na NZ (acostamentos estreitos, menos respeito dos motoristas), resolvi por trocar o quadro da bici, operação complexa! Pra minha sorte o Jon, que de me hospedou por vários dias em sua casa, tinha uma Scott Sub novinha, bicicleta de cidade que estava sub-utilizada e concordou em trocar de quadro, os dois sairam ganhando, ele que ganhou um quadro urbano bem legal e confortável, com suspensão no garfo e selim, e eu que resolvi o problema de carregar meus alforjes e ainda com um quadro esperto e zerado.

De alma renovada by you.
A velha e nova Dália

Fiz todo o trabalho na Bike Kitchen, local onde ninguém faz nada por você: te ensinam a mexer em tudo na bicicleta, em uma oficina super completa, em troca de uma taxa super camarada. E se quiser, nem precisa pagar: basta ajudar outras pessoas a terem mais intimidade com suas bicicletas. Maravilha de iniciativa!

Bike Kitchen by you.
Bike kitchen – conhecimento para tod@s

Faltava testar, e fiz uma viagem de 3 dias na região de Point Reyes, local onde a falha de San Andreas – o encontro de placas tectônicas que faz a região tremer com tanta freqûencia – passa da terra pro mar. Ao sul, o terremoto é bem debaixo das casas (San Francisco em 1906 e 1989), ao norte eles criam tsunamis como o que lavou Crescent City nos anos 60. A região é maravilhosa, praias desertas e montanhas altas, tudo em meio ao fog… e a nova Dália foi aprovada, girou perfeito com toda a bagagem, pronta pra nova fase. Na volta pra San Francisco, tive minha primeira experiência no WarmShowers (site de troca de hospedagem para ciclistas) na casa do John Merlo, super atencioso e tão empolgado quanto eu, que fui seu primeiro hóspede através do grupo.

Na estrada! by you.
A estrada é o destino

Pra coroar a temporada nos Estados Unidos e San Francisco, nada melhor que uma pedalada com Chris Carlsson, que nos guiou em um Tour sobre a história do transporte coletivo da cidade, parte do seu excelente projeto Shaping San Francisco. Deu uma vontade de estar no pedal da história da ecologia, mas já estava aqui na Nova Zelândia….

Chris & Chris by you.

Chris aponta Chris no mural de Mona Caron sobre o transporte em SF

Prazer em conhecer, Estados Unidos! Quebrei vários preconceitos, graças às pessoas tão simpáticas e criativas que conheci nesses meses lá. E agora posso afirmar: vai ser bom voltar!

Últimas fotos da California

World Friends (atualizado)

Critical Mass (bicicletada) de Halloween

Dia de Los Muertos

Todas as fotos da viagem