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Pedalar pro trabalho ??? Claro que sim!

quinta-feira, 14 de maio de 2009
alto estilo em Stuttgart – Alemanha

A idéia é pegar a galera que “até iria pedalando” pro trabalho, descobrir o que as impede de subir na bicicleta em um dia normal, ajudá-las a superar a dificuldade e torná-las mais um “pedalante pro trabalho” (qual seria a tradução pra bike commuter ??)

O evento chama-se Dia de Pedalar pro Trabalho, ou na língua nativa da idéia Bike to Work Day. Em alguns lugares dos EUA como em San Francisco é dia 14 de maio, na maioria dia 15 (como em Idaho, San Diego-ca, Portland-or, e mesmo nacionalmente), sendo que em cada local a galera inventa uma maneira de pôr mais gente a pedalar . Por exemplo em San Diego, nesse dia você viaja de graça nos ônibus, que possuem racks para bicicleta. Além disso há pontos de descanso espalhados pela cidade, com distribuição de água, lanches e o principal: incentivo!

barreiras (quase) intransponíveis...pré-conceitos – yehudamoon.com

Como estou na Nova Zelândia e não nos EUA, vamos à realidade local. Não vi nem ouvir falar nada de Bike to Work Day por aqui, ao menos em Auckland, onde estou agora. Por coincidência (mentira, nada é por acaso nesse mundo), justo ontem conheci a Bike Central. Por fora parece “mais uma” loja de bicicleta, mas já na entrada várias mesas e uma máquina de café me fizeram dar um passo atrás – será que entrei na porta certa? Umas bicicletas ali atrás confirmam que é ali mesmo.

café com pedalcombinação perfeita

A Bike Central é um espaço para “trabalhadores de escritório” que pedalam pro trabalho, e para tanto criou um serviço que quebra as barreiras que essas pessoas enfrentam:

  • sua bicicleta fica estacionada dentro da loja (perfeito pras máquinas de milhares de dólares!)
  • tem um chuveiro limpo, quente e chique :P – toalha por conta da casa!
  • tem um armário só seu pra guardar as roupas de trabalho e bugingangas
  • uma oficina faz os pequenos reparos na bici enquanto você labuta
  • local agradável tomar um café antes de encarar o chefe e depois de fechar vários negócios
  • acesso a internet sem fio (o famoso wireless ;) gratuito para membros
  • aluguel de bicicletas, venda de acessórios, etc, etc

Parece algo muito refinado, mas é acessível – ser membro custa NZ$25 por semana (uns R$ 125 por mês) e dá direito ao armário, local pra bici, chuveiro e até mesmo roupa de pedal lavada no fim de um dia de chuva. Pra ciclistas guerreiros isso tudo pode parecer frescura, mas estamos falando de pôr a pedalar gente que anda no conforto do carro, não é mesmo??

suor? que nada! yehudamoon.com

Depois que já estiverem mais acostumados à rotina do pedal e descobrirem que não precisa trocar de roupa pra pedalar e que normalmente não se sua tanto assim, aí passamos ao bicicletário da Ascobike em Mauá (Grande SP), localizado na estação do trem pra São Paulo e que oferece:

  • local seguro pra estacionar a bici (24 horas!) – com 1700 vagas…
  • compressor de ar e oficina – com empréstimo de bicicletas caso a sua não fique pronta a tempo
  • cafezinho, água e até graxa pra sapatos!
bicicletário - foto: Ascobike.org.brfoto: Ascobike.org.br

Para saber mais sobre a Ascobike, acesse posts no Apocalipse Motorizado, Transporte Ativo, o video da StreetFilms (infelizmente algumas falas em inglês, sem legendas..) ou ainda o site da Ascobike.

Agora vou aproveitar meu último dia na Nova Zelândia e pedalar um pouco! Enquanto isso, veja algumas fotos da Bike Central e Auckland.

As tirinhas  são do Yehuda Moon -  dica do Vá de Bike, que também publicou um artigo sobre o Dia de Pedalar pro Trabalho

Pausa pra… descanso?

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Vida de ciclista não é só pedalar, bem como a vida nômade é mais que simplesmente pular de um lugar ao outro. Desde junho passado minha rotina tem sido apreciar novos horizontes, ao lado de novas pessoas, os locais passando como instantâneos, quase fotografias.

Já houve momentos de estar mais quieto, como em Portland e San Francisco, mas sempre pulando de casa em casa, em tempos relativamente curtos, em cada cidade menos de um mês. Até agora, a única situação de perceber mudanças em um local foi estar em SF no verão – super gelado, dois casacos, luva, gorro – e novamente no outono, dessa vez mais agradável, sol batendo.

Na Nova Zelândia, fui nômade desde o começo, o lugar onde mais fuquei foi Coromandel, por looongas duas semanas ;) De lá, muito pedal até a Ilha do Sul, onde novamente parei por duas semanas em Motueka, onde estive em um retiro de meditação.

Dali novamente pé na estrada, na viagem de um mês por Bali não esquentei uma cama por mais de três dias… o que foi muito bom, pra conhecer a ilha e seu povo.

De volta à Nova Zelândia, era hora de trabalhar. Ao reencontrar Engelbert, amigo que conheci pedalando na Costa do Oregon/Eua, veio o trampo: colher maçãs. Desafio nada fácil: 25 mangos pra cada caixa de maçã – 400 kilos de frutos do coração. É maçã do despertar ao anoitecer, bastante dor nas costas, compensada pelo dindin no bolso – e uma grata sensação de estar sendo produtivo. Afinal, estar só curtindo é legal, mas também cansa. É sério :P

Mais uma caixa! by you.

Mas havia algo mais sutil que a necessidade de trabalho. Ter uma rotina, criar laços mais profundos com pessoas, poder sentir-se em casa, já saber que caminho pegar e onde estão os copos, deitar numa cama quentinha…

Numa manhã bela, fria – e solitária – colhendo maçãs, o telefone tocou. Era Visnu, amigo do Vistara (local onde ocorreu o retiro) me chamando pra trabalhar em outra fazenda.  Poderia morar em uma casa ao invés do trailer em que estava, praticar meditação todos os dias, partilhar refeições, acender a lareira.

Larguei na hora minha bolsa de colher maçãs, pedalei os 25 km que me separavam da nova fazenda e mesmo inicando às 11 da manhã, naquele dia colhi 4 caixas, em um tempo bem menor que no local anterior. Quando no sentimos bem, tudo flui melhor…

As três semanas que passei na primeira fazenda levaram décadas a passar… já as mesmas três, trabalhando em um lugar legal e morando junto a amigos, foram como um piscar de olhos. Eis que chegou a hora de partir, cada minuto um novo visual, sentir novos cheiros e ver novos rostos.

rio Motueka by you.

O tempo em Motueka me preencheu com a sensação de pertencer a um lugar.  Ver as estações passarem, no verão derreter de calor e pular no rio, no outono me arepiar de frio e acender a lareira. Ver as montanhas receberem a primeira neve e as árvores mudarem do verde para o amarelo e vermelho, se despirem.

Me chamou a atenção um texto de Eduardo Galeano,  diz mais ou menos que

A utopia está lá no horizonte.
Me aproximo dois passos, ela se afasta dois …
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve a utopia?
… para que eu não deixe de caminhar!

Eis que a utopia me chama novamente, três meses após chegar à região mais ensolarada da Nova Zelândia, tempo esse que trouxe algumas trovoadas, arco-íris na lua cheia, o céu mais estrelado que já vi e muito sol, sol! Parto rumo oeste, sul.. pra região mais chuvosa e fria do país, agora é tempo de ver os glaciares, fiordes e claro, viajar de bicicleta.

Hey! by you.

Vou pedalar pra alcançar a utopia!

p.s – pra ver fotos, veja  o post anterior

Fotos, fotos e fotos

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Ok, sei que devo escrever mais. Fazer o que se o que mais gosto é de fotografar? Mostrá-las, pois!

Eis os últimos ábuns adicionados, do mais recente pro mais antigo:

Motueka

o que tenho feito no último mês: colhido maçãs, pedalado:

Nelson Lakes

caminhada de 3 dias que fiz com os amigos do Vistara quando as maçãs deram uma folga

Bali Baik

passeio de bicicleta pelos vilarejos de Bali. Fiz no último dia da viagem, pra fechar com chave de ouro

Norte e Leste de Bali

aluguei uma motinho – não levei minha bici pra lá.. – e saí pela ilha (que é relativamente grande, 150 km de ponta a ponta). Campos de arroz, vulcões, chuva, água termal, floresta tropical, mergulho…

Breve (?) relato disso tudo!

Recepção calorosa para cicloviajantes

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Outono.

Na estrada

Quem ao menos uma vez já viajou de bicicleta, pôde sentir a atmosfera mágica que parece rondar quem se desloca sobre uma bici. Pode soar estranho, mas estar ali, daquele jeito, tem o poder de arrancar sorrisos – dos outros e de nós.

Porém nem tudo são flores… quem em um dia já pedalou intermináveis km contra vento, encarou uma montanha que mais parecia um tobogã ao contrário ou girou desde a manhã até a noite sob a chuva, já sentiu na pele – nos músculos, na barriga, no cérebro – que diferença fazem um bom jantar, uma troca de idéias, um teto. E claro, um bom banho, de preferência quente!

Já pensou viajar de bicicleta e a cada cidade que chegar, houver alguém pronto a te receber, que também curte viajar, ainda mais se for de bicicleta, e fará o tudo pra que seu tempo ali seja o melhro possível, pois sabe como por experiência própria o que é estar na estrada de bici?

Partindo da vontade de encontrar uma “casa” a cada parada nas viagens que o canadense Roger Gravel começou, há mais de 12 anos, a coletar endereços de cicloviajantes. O Warmshowers (literalmente, “chuveiros quentes”) nasceu como uma lista de e-mails e localidades que seu fundador manteve “na unha”, com o tempo a coisa evoluiu muito e hoje é um site que lista mais de 7.000 usuários ao redor do mundo, com mapas, busca por local, afinidades, etc.
Redes de hospitalidade para viajantes não são novidade, as principais hoje são Hospitality Club (“Clube da Hospitalidade”) e Couch Surfing (“Surfar em sofás”). A grande diferença do WS é que cicloviajantes são como uma grande família, fazemos de tudo pra ajudar uns aos outros, pelo prazer de ver alguém chegando com a bici carregada, cheio de empolgacão e histórias pra contar.

Quem viaja, além da calorosa recepção, recebe boas dicas sobre o que fazer e por onde ir – afinal, seu anfitrião além de ser pedal-viajante mora ali, e provavelmente conhece muito mais atrativos na região que você ou o livro que você carrega. Também é possível que ele tenha aquela ferramenta ou parafuso que você tanto precisava… Isso sem contar a economia com hospedagem!

Adiós San Francisco! by you.

Com John Merlo na Golden Gate

Sou membro do WS há uns 5 anos, porém até hoje não havia recebido contato de ninguém do site – isso morando em Floripa, cidade cheia de cicloturistas. Mesmo assim, já havia hospedado viajantes que conheci nas ruas com seu inconfundível estilo Caracol, e fiquei diversas vezes na casa de conhecidos em minhas viagens, e como é confortável!

Eis que estava nos Estados Unidos, me preparando pra vir para a Nova Zelândia, quando resolvi debutar no WS. Em uma pequena viagem de 3 dias que fiz a Point Reyes pra testar o novo quadro da minha bicicleta, fiquei na casa de John, por coincidência eu também fui seu primeiro hóspede. Ficamos ambos muito felizes, ele pela surpresa de receber um viajante com várias histórias pra contar, eu por ter alguém que me buscou na entrada da cidade, ofereceu um ótimo banho com direito a toalha macia, jantar (e café) de responsa e uma cama confortável. Pra completar, um bom papo e um pedal na manhã seguinte até a saída da cidade, perfeito

Val & Don by you.

Ws também é cultura – ao fundo, as pinturas de Val

Com o sistema testado e mais que aprovado, procurei por anftriões na Nova Zelândia e os quatro com quem estive – David em Auckland, Gary em Wellington, Don & Val em Picton e David em Nelson abriram as portas e sorrisos para minha chegada. Muito mais confortável que um camping, bem mais rico que qualquer albergue!

Espero que a rede do Warmshowers aumente no Brasil, e se você for fazer uma viagem de bici, nem que seja pra cidade vizinha, procure se não tem alguém inscrito lá! Se for louco por cicloviagens, gostar de conhecer e ajudar aventureiros, ofereça um cantinho em sua casa pra outros viajantes. Se não der, pode ser até mesmo um bom papo e dicas, sempre valiosas. O importante é participar e divulgar a cultura da viagem de bicicleta!

Aproveite, se inscreva no site e comece a oferecer e receber chuveiro quente. Ah, e ainda estou esperando um viajante aparecer lá em casa..  moro em Floripa, nada mal hein?  Meu perfil é  http://www.warmshowers.org/users/edugreen Só espere até junho pois até lá estarei girando por aí..

Cicloabraços e bons pedais, nos vemos lá em casa – ou na tua ;)

Califórnia é definitivamente terra de surpresas

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Depois de 10 dias na estrada descendo a Costa do Oregon, no dia 3 de Setembro cruzei a fronteira para o estado da Califórnia e encontrei a Tatiana, que estava em uma fazenda próxima a Losa Angeles. Novo estado, nova viagem: num ritmo mais relaxado, curtimos a incrível região das sequóias (redwoods), a Costa Perdida e nós mesmos… ficamos uma média de duas noites em cada camping, desde Crescent City até Mendocino.

Nossa primeira parada foi no Jedediah Smith State Park, junto ao Smith River, cuja água fria e cristalina nos chamou para nadar, idéia prontamente aceita por mim, Tati e Curtis, um amigo que fiz durante a pedalada no Oregon. Também visitamos o Stout Grove – um dos mais lindos bosques de sequóias que vi – e pedalamos pela Hawland Hill road, serpenteando entre árvores realmente gigantes.

Smith River

Depois de Crescent City nós pulamos um trecho da estrada de ônibus para evitar umas montanhas muito altas – muitos dos ônibus urbanos daqui têm um rack pra bicis no pára-choque dianteiro, fica fácil. Pedalamos por uma estrada bem tranqüila até Elk Praire (Prado dos Alces) no coração do Redwoods National Park. Lá deixamos nossa bagagem e nos dvertimos descendo a trilha para a praia e o Fern Canyon, onde vimos um alce muuuito grande, selvagem. No dia seguinte visitamos o Cathedral Trees Grove, outro lugar incrível para estar entre – e mesmo dentro – das sequóias.

Cathedral Grove

De volta à beira-mar, passamos uma noite em Patrick’s Point, lugar lindo e pratcamente vazio, com costões verticais e uma aldeia indígena. Chegamos à noite e seguimos o ritual: armar a barraca, guardar a comida na caixa metálica à prova de ursos, tomar banho.

No Oregon, os chuveiros eram grátis, na California eles custam 50 centavos a cada 5 minutos, um preço tbaixo considerando que o camping para ciclistas e caminhantes custa só $3. O problema é que o chuveiro funciona à moeda e só tínhamos 50 centavos trocados, então tivemos o banho mais rápido da história, 5 minutos para os dois, e ainda terminamos cheirando bem…

Patrick’s Point

O caminho entre Patrick’s Point e Arcata foi demais, pedalamos quase todo o dia longe da Highway 101, em estradinhas sinuosas. Depois de Trinidad, o caminho alternativo estava fechado – só para carros! Otimo para nós, que pudemos curtir o visual sem preocupação até Clam Beach.

Em Arcata já tínhamos um contato, Richard, um “nômade dos tempos modernos” que estava na casa de amigos. Esta era mais do que as casas de estudantes que encontramos em uma cidade universitária, seus moradores são artistas, pessoas espiritualizadas e “cool”. Um dos moradores, Rio, fez aniversário bem quando estávamos lá e tivemos uma festa super divertida.

“República” Buttermilk

No outro dia, dormimos em meio a girassóis na Arcata Educational Farm (fazenda educativa), um projeto comunitário coordenado pelo Rio, onde as pessoas mantém a fartura da fazenda e os três trabalhadores comprando cotas da produção. Tivemos sorte de presenciar o trabalho das meninas, que colheram e organizaram em cestas a produção da semana para os “acionistas”, lindo projeto!  Alguns contatos via internet e compras atrasaram nossa partida de Arcata para as 15h, passamos rapidamente por Eureka – sim, isso é nome de cidade aqui! A chegada em Ferndale foi meio dramática, em meio ao nevoeiro e lusco-fusco.

Sarah & a abóbora gigante na AEF

Saímos do camping com toda a bagagem arrumada pra seguir viagem, mas aco chegar no centro da cidade vimos que é tão legal que resolvemos ficar mais um dia. Exploramos o Kinetic Race Museum – corrida maluca de veículos movidos a pedal que, em 3 dias, atravessam dunas, lama e até cruzam a baía ao sul de Arcata, tudo a pedal nas engenhocas mais esquisitas e bonitas. A cidade é conhecida por seu casario Vitoriano, preservado desde o início do século XX, e no tour fizemos a parada obrigatória no cemitério da cidade, no alto do morro, onde fizemos um delicioso e silencioso lanche. O nosso retorno ao camping foi tão surpreendente que não cobraram a segunda noite…

Algumas das máquinas malucas do Kinetic Museum

Na manhã seguinte, enquanto nos alongávamos presenciamos uma cena curiosa: o time local de futebol americano, totalmente uniformizado, desceu de duas vans e começou a treinar bem na nossa frente, batendo as cabeças uns nos outros (de capacete) para o tradicional jogo de sábado de manhã. Esticados, nos mandamos para o Poppa Joe’s, restaurante que nos serviu o autêntico café-da-manhã americano: ovos, bacon e panqueca, mingau de aveia com passas e amêndoas.

Ferndale vista do cemitério

Estômagos cheios – talvez um pouco demais – giramos devagar ao lado do rio Eel, passando por Scotia, cidade totalmente construída com Redwoods, e por causa delas – é a cidade-dormitório de uma gigante madeireira. Felizmente houve pessoas que lutaram pela preservação dessas árvores – como Julia Butterfly, que passou 738 dias na copa de uma Redwood para salvar um imenso bosque. Logo depois da assombrosa fábrica engolidora de toras e cuspidora de tábuas, entramos na Avenue of the Giants, uma pedalada de 50 km em meio a árvores mais que centenárias, algumas milenares, em lugares como Founders Grove, onde um conjunto impressionante de árvores em pé e naturlmnte caídas fazem desse bosque um lugar muito especial, nós quse ficamos por lá para dormir no oco de uma sequóia – cabíamos nós dois deitados lá dentro!

Tall & fast @ Ave of Giants

Mais algumas noites entre as gigantes nos campings Burlington e Richarson Grove, depois iniciamos nosso duro dia rumo à costa, em que subimos mais de 700 m acumulados, a maior parte ao longo da sinuosa e tranqüila Highway 1. A descida de mais de 15 km para Rockport fez a escalada ter valido a pena, e nessa noite dormimos ao som das ondas e sob a luz da lua crescente.

O sol nos deu um lindo bom dia depois de alguns em meio a nevoeiros, nesse dia não resisti e dei alguns rápidos mergulhos no congelante oceano pacífico. A pedalada dali até Fort Bragg nos deixou sem fôlego a cada curva, me parte pelas curtas e íngremes subidas, mas principalmente pelo visual inacreditável. Chegamos com o sorriso nas orelhas em Mendocino, cidade da qual já tínhamos dicas sobre sua beleza, e planejamos ficar lá por alguns dias, que se extenderam… mas essa história continua no próximo post ;)


Fort Bragg

Todas as fotos estão no meu álbum de viagem Flickr  http://www.flickr.com/photos/edugreen/collections/72157606824713655/, no álbum “California Coast”

Garoto, eu vim pra califórnia… mas antes, girei 10 dias pelo Oregon!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Depois de juntar uma grana montando motores elétricos pra bicicletas de carga e pegar um ônibus até o litoral, retornei ao mais puro “movido a feijão” no litoral do Oregon.

O estado, não muito conhecido por brasileiros, não deve nada à vizinha Califórnia em relação à sua beleza. Diversos parques estaduais ao longo do caminho, muita diversidade de paisagem e um ótimo clima fizeram os dias passarem rápido como a Dália, impulsionada pelo vento Norte a favor.

O litoral do Oregon é bem recortado, com muitas falésias e ilhotas, que muitas vezes lembram Angra dos Reis e até mesmo a Polinésia. Seria o paraíso, não fosse a água congelante. Não entrei no mar nenhuma vez, senão ia parar no meio das colônias de focas e elefantes marinhos…

Na maior parte do tempo, a Rota de Bicicletas da Costa do Oregon é percorrida às margens da US 101, irmã da nossa BR 101, talvez um pouco mais conservada, porém um tanto perigosa nas pontes e diversos trechos sem acostamento, ainda mais trafegando com uma carreta. O asfalto, confesso, foi bem vindo, a pedalada rende mais e a bici gira redondo, porém senti muita falta do sossego que temos nos nossos caminhos do sertão.

Bem, sem muitas delongas senão não vou publicar esse post, as fotos mostram melhor como foi esse trecho da viagem.

Agora sigo pela costa norte da California com minha amada Tati, em alguns dias chegaremos a San Francisco e contarei mais como é pedalar em meio às sequóias de mais de 100 metros de altura e 2 mil anos de idade…

Partiuuuuu !

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Parecia que estava tudo pronto, pus todos os alforjes em cima da Dália e fui mais uma vez mudar de casa em Portland. Naquele dia, era só descida e como sempre soltei os freios… eis que o guidão da bici começou a oscilar sinistramente…

Tentei resolver o problema com um cabo de aço, “transformando” o quadro da Dália de “feminino” pra “masculino”, até melhorou mas não 100%. Ao contrário das recomendações de alguns amigos viajantes, decidi: vou comprar uma carreta.

Dois amigos tinham carretas bem diferentes: de uma e duas rodas. Peguei as ditas emprestadas, pus toda a minha bagagem em cima (uma de cada vez, é claro) e subi o Mount Tabor, o morro mais alto daqui. A de uma roda (estilo Bob trailer) levou vantagem na subida, ela vi junto com a bici. Já na hora de parar, um desastre, faz a bici cair o tempo todo. Já a duas, tem um monte de espaço, fácil de carregar e tirar, desce super bem.. optei pela Burley Nomad, bem compacta, estreita (bom prara estradas movimentadas..) e vários compartimentos pra organizar minhas coisas.

Terminei meu trabalho na Clever Cycles, foram três semanas muito boas, conheci pessoas bem legais e dei um reforço no caixa. Ontem revisei a bici e a carreta, modifiquei a disposição da bagagem e me livrei de uma parte dela.

Daqui a pouco, pego um ônibus de Portland para Tillamook, no litoral. É um ônibus urbano que leva bicis, e me adiantará dois dias de viagem pro locias não muito interessantes. Começou!

Alemães dando uma força pras bicicletas em Santa Catarina

domingo, 17 de agosto de 2008

No início deste ano, convidada pelo Eldon Jung da ABC, veio a Santa Catarina a jornalista Judith Weibrecht da revista alemã Radwelt, maior veículo alemão especializado em ciclismo, para escrever uma série de reportagens sobre a bicicleta em Santa Catarina, abordando cicloviagens e cicloativismo.

Neste artigo, que fala sobre as estruturas para o deslocamento com bici em cidades catarinenses como Blumenau, Florianópolis, Timbó e Camboriú, Judith entrevistou a mim e Luiz Pereira, clega dos Caminhos do Sertão, que falamos sobre a necessidade de estrutura para ciclistas nas ruas e estradas de Florianópolis

A vinda de Judith gerou diversos encontros políticos em Santa Catarina, entre eles um importante, secretaria de organização do Lazer, sobre o cicloturismo em nosso estado, onde também estivemos, representando o CdS e a ViaCiclo junto com o Milton Della Giustina.

Esperamos que reuniões como essa não seja só pra alemão ver… e que essa publicação se some aos nossos esforços para impulsionar a melhoria de estruturas pra andarmos de bicicleta na cidade e em viagens.  Para ler a matéria inteira (em alemão… ;), clique em cada uma das três imagens abaixo:

E a viagem segue bem, pedal à vista

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Depois de participar de eventos e mais eventos – Portland estivemos no Towards Carfree Cities, World Naked Bike Ride (fotos), Pedalpalooza - fizemos uma curta viagem pelo vale do Rio Columbia (conhecido aqui como Columbia Gorge), para testar a bici nova da Tati.

Ficamos quase um mês em Portland, descemos para San Francisco onde contávamos com a casa de amigos, em dias específicos. Lá, pedalamos muito também, alguns dias com dois casacos em pleno verão, o fog é fod* ! Participamos da Critical Mass, vimos cinema no parque, pedalamos pela ponte Golden Gate até Sausalito, coisa linda.

Agora Tati está em uma fazenda que planta orgânicos (pêssegos, berinjelas, etc), que também é um centro de meditação da Ananda Marga. Eu voltei a Portland, cidade maravilhosa onde as ruas são túneis de árvores e os carros param para as bicicletas..

Estou dando uma força em uma loja de bicicleta (e ganhando também ;), na semana passada ela estava em reforma e ajudei a pintar, instalar móveis, limpar, etc. Eles gostaram do meu trabalho e agora que reabriu, estou trabalhando no porão, onde a temperatura é bem mais agradável e posso ouvir minha música sossegado… :)

O projeto que trabalho é o StokeMonkey, um motor elétrico que auxilia na pedalada de bicicletas de carga, como a XtraCycle e a Bakfiets, ambas à venda na loja, que é super cool…

A próxima etapa é descer a costa do estado do Oregon, que dizem ser maravilhosa, e reencontrar a Tati já na Califórnia, onde continuaremos pedalando costa abaixo, parando nas fazendas orgânicas para trabalhar e aprender. Eu iria sair nesse domingo, mas como pintou trabalho extra, a partida será no próximo sábado, dia 23/8.

Como estava há muito sem escrever, esse post vai sem fotos mesmo,vou tentar ao longo da semana publicar mais coisas… tenho muitas e muitas imagens de tudo que está acontecendo, tantas que nem dá pra processar.. hehe

beijos a tod@s!     :Dudu

Ciclonudistas!

domingo, 15 de junho de 2008

Noite, temperatura na casa dos 10 graus, na zona industrial de uma cidade nova, cercados de centenas de ciclistas nus… chega a meia-noite, tomamos coragem e ficamos só de sapato e vento no rosto. Ciclonudismo!

Chegamos em Portland para participar da conferência Towards Carfree Cities. Mas fizemos questão de estar aqui um dia antes, pois ia acontecer a World Naked Bike Ride. Esse manifesto-passeio, como sugere o nome, acontece em diversos lugares do mundo, este ano até mesmo São Paulo teve sua versão.

Mas por que pedalar pelado? O que se quer mostrar com o WNBR é que no tráfegotemos duas situações bem distintas: enquanto os que optam pelo automóvel contam com cada vez mais aparatos de segurança (cintos, freios ABS, air-bags e etc.), nós ciclistas continuamos a ter apenas nosso corpo como escudo – ficar pelado é demonstrar isso á flor da pele!

Para nós, foi foi muito divertido, recém-chegados à cidade, participar do passeio. Como estava muito frio, a primeira idéia foi de apenas observar – ficar pelado e congelar, nem a pau ;)  Cheios de roupas, à medida que a meia-noite foi chegando e mais pessoas estavam nuas resolvemos entrar na onda e partimos com a massa de corpos branquelos.

O passeio, com frio de quebrar osso feito pailitinho, passou pelo centro da cidade, e atraídos pela quantidade de gente e/ou pela (falta de) vestimenta, muita gente saiu às ruas para nos apoiar e observar. Diferentemente das notícias que recebemos de São Paulo, a polícia nem mesmo apareceu. Fizemos um circuito de uma hora, passando duas vezes por Downtown, e as pessoas esticavam a mão para nos cumprimentar (ou será para outra coisa ? :)

Tomara que durante os outros dias do ano essas cenas fiquem como um lembrete de nossa fragilidade frente aos automóveis, e que a repressão das autoridades no Brasil dê lugar ao apoio à opção de uso das bicicletas.

Veja o álbum completo de fotos:

World Naked Bike Ride Portland 2008