Quem nunca adaptou, enjambrou, fez gambiarras, inventou novas soluções para a sua bicicleta? As gambiarras são a pura tradução da filosofia “ocotenho” -”é o que tenho”, ou seja, usar os materiais à mão – mais um dos neologismos do grande amigo Luiz Pereira, traduzida na prática através da solução pro parafuso que ele não dispunha pra prender o farol da bicicleta:

Seja por estar numa roubada sem ferramentas ou peças à mão, estar sem grana pra comprar o equipamento certo, não achar pra vender no Brasil “aquele” acessório gringo ou simplesmente por adorar inventar coisas novas, é muito comum no meio ciclístico adotar soluções caseiras pra consertar ou melhorar a bici, é a cultura do faça você mesmo, tão valorizada em alguns países sob o nome DIY (do it yourself) e vista aqui como “única solução de quem não pode comprar”. Puro engano, é dessas iniciativas que nascem grandes inventos.
É o caso de André e Ana Vivian do blog Predarilhos, que resolveram o problema de espaço pra guardar as bicicletas em casa. Criaram um suporte de teto para a bicicleta. Não satisfeitos, fizeram um protetor de corrente com pedaços de pneu usado.
A Carry Freedom, fabricante americana de carretas para bicicleta de diversos tamanhos e modelos, disponibiliza um plano para a construção de carreta usando bambu, para ser usado por aqueles que jamais terão ace$$o às suas ótimas carretas.
As soluções artesanais não se restringem a produções de só uma unidade, feitas para o próprio inventor. Quando estive em Portland, vi muitas pessoas usando um alforje construído com latas plásticas usadas. Ele é fabricado pela loja cooperativa CityBikes, baseado em um plano disponível na internet e vendido a um preço bem justo, que ao mesmo tempo é acessível aos ciclistas e traz algum lucro para a loja

O Márcio Campos, amigo ciclista de Sampa, vai descer até o RS de magrela, e tá preocupado com razão em conseguir ver o que se passa atrás. Aliás, é por esse mesmo motivo que retrovisor é obrigatório nas bicicletas (bem como campainha), porém além das bicis novas virem sem retrovisor, não se acha no mercado um espelho decente pra vender. Por isso, ele resolveu pôr a mão na massa (e aceitou compartilhar o processo com o mundo) :
faça seu retrovisor “the Flash”…
Há muito estou querendo fazer um retrovisor de capacete, a primeira vez que vi um foi em 96, com um colega de pedal de estradas, era importado, tenho fotos do cara com a coisa bizarra à época, rs… Essa coisa nunca pegou, e por aqui então, é novidade até hoje.
A minha viagem está perto e eu sem tempo pra resolver um monte de coisas. Uma resolvi. Poderia ter arranjado um espelho convexo, ter feito o corte com serra copo para vidro, e tal, e depois emoldurado com borracha, coldo uma haste com durepoxi, etc, etc…coisa que eu adoro fazer é trabalhar esse ferramental. Mas sem tempo, sempre que vou cuidar da viagem alguém me interronpe por trabalho, tive que garimpar e achei a solução “the flash”.
Espelho bucal de dentista nº 5, encontrado em lojas de material de odonto. Míseros R$ 4,00 ( tem lojas que é sub 3 reais), um espelho de ótimo acabamento e feito em aço inox finíssimo. E comprei ainda o cabo extensor por R$ 2,80. E por esse preço não precisa pensar muito se deve ou não improvisar haste, cortar espelho, lixar isso e aquilo, durepoxi, araldite…
O cabinho dele é reto, eu conformei em curva “s” para melhor posição :
Foto: Márcio Campos
Olha o acabamento do espelho, e a haste :.
Foto: Márcio Campos
Passei esmalte de unha como trava rosca na hastezinha do espelho :
Foto: Márcio Campos
Foto: Márcio Campos
Foto: Márcio Campos
Fiz com cuidado um furo na lateral com broca de diâmetro menor que o da haste, meu capa é da idade da pedra (96), não tive dó, se o seu é novinho tem muitas aberturas de ventilação e vc pode fixar o espelho com braçadeiras Hellerman :
Foto: Márcio Campos
Foto: Márcio Campos
Eu não fixei a haste com cola de cara, apenas enfiei no isopor e já deu boa fixação sem movimento. Fiz assim para fazer o ajuste fino de ângulo durante o pedal inicial :

Foto: Márcio Campos
Foto: Márcio Campos
Após entortar o eixo e encontrar a posição ideal, eu passei cola araldite (cola branca deve servir também) na haste e coloquei definiivo, fazendo o último ajuste pedalando na rua ainda com a cola molhada :
Foto: Márcio Campos
A experiência hoje no trãnsito foi muito boa, na estrada movimentada evitará ter de ficar virando pra trás o tempo todo. Vai ajudar muito a não me assustar com caminhões se aproximando rápido ou poder desenvolver melhor pedalando no meio da pista em estradas de acostamento ruim e pouco movimento, com um olho no retrovisor sempre.
É isso, fica a dica. Abraços, Márcio
























combinação perfeita

foto: Ascobike.org.br







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