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Mecânica básica e Mão na Roda

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Nesta quinta, 16/12, aconteceu a última edição da Mão Na Roda de 2010. Teve oficina do Márcio Campos sobre mecânica básica para cicloviagens, e na sequência fizemos ajustes em algumas bicis. A chuva forte espantou a galera que vai descer a Manuten-santos no sábado (aka. Rota Marcia Prado), que teria uma boa noção de mecânica. Mas aos que não estavam no Contraponto e não viram a transmissão ao vivo pelo site da Ciclocidade, ainda dá pra assistir a oficina na página da Mão na Roda

Parabéns pro Marcio e pra galera que foi!

Álbum de fotos no Flickr:

ps – A caneca da ciclocidade ficou demais!

Curtição do cicloturismo + desafio de competição = Audax

quarta-feira, 24 de março de 2010

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Desde o primeiro Audax de Floripa acompanho a trajetória randoneé do amigo e sócio Luiz Pereira, que após completar os 200 km da ilha, já fez entre outros o de 300 km em Criciúma eu treino insano de 400 km de ida e volta até Blumenau, sozinho. Este ano pretende passar dos 300, 400 e chegar aos 600 km. Apesar de admirar os feitos, até então eu não me instigava a desafiar meus limites nesta modalidade, não entendia por que testar o corpo pedalando 200 km – e ainda duvidada que fosse capaz disso.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

O Audax, desafio surgido na França, tem uma regra simples. O percurso deve ser completado a uma média de velocidade mínma de 15 km/h. Não há primeiro ou último colocados, apenas um tempo máximo para completar, que no de 200 km é de 13 h 30 m. Para ciclistas profissionais e os que treinam com frequencia, é um passeio. Para cicloturistas, manter essa média de velocidade é fácil até os primeiros 50 km, depois vira um desafio daqueles!

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Fui acompanhar o Pereira na reunião pré-Audax, na noite anterior ao evento, onde foram distribuídos os números, camisetas, planilhas. O clima era de festa, uma família de centenas de ciclistas. Gostei da descontração. Entre as palavras da noite, me tocou a história do Fabiano, que ano anterior participou de tala no pé, logo após 2 meses de gesso, e completou o Audax. Nessa momento, ouvi o clique. E não era de um pedal SPD… era eu mesmo, curioso pela brincadeira.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Conversei com o Della, incansável organizador da prova, que vendo minha empolgação abriu uma exceção pro atrasadinho: eis que o desafiante número 241 largaria dali a poucas horas. Ainda tivemos um jantar de massas e sorteio de brindes antes de disparar para casa, preparar o equipamento e ter algumas preciosas horas de sono.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Seis da manhã , lá estávamos eu, Pereira, Marcelo e Fernando de Maringá entre outros duzentos e poucos cilistas, na checagem de segurança: placa de número, farol dianteiro, pisca traseiro, colete refletivo, capacete, tudo nos conformes.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Enquanto o sol mostrava seus primeiros raios, aquecíamos as pernas cruzando a ponte para o continente por cima. Foi uma experiência incrível, assim como pedalar pelas ruas tranquilas da Floripa-continente e São José nas primeiras horas de domingo.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

De volta à ilha, dessa vez pela passarela, a massa se dispersou em pequenos grupos de ritmo semelhante. Foi marcante passar pela Base Aérea, caminho mais curto e seguro entre o centro e sul da Ilha, infelizmente só permitido aos moradores do “condomínio fechado de luxo” da Aeronáutica durante os dias normais. Espero que esse privilégio acabe e em breve a população tenha direito aos caminhos de sua própria cidade.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Após repor as energias no primeiro PC, percorremos o querido sul da ilha, até a Praia dos Açores. O sol que nos acompanhou desde o primeiro minuto à chegada começou a ficar forte e optei por pedalar mais rápido antes do calor intenso do meio-dia, alternando a ponteira com mais dois colegas, Fernandes e Danilo.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Ao chegar na Lagoa da Conceição não resisti ao lindo visual e me desgarrei para uma foto, a cada parada ou trecho de retorno dezenas de ciclistas passavam, fazendo festa.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

No segundo PC (alto do morro da Barra da Lagoa) reencontrei o Pereira, como sempre brincando e de alto astral, e dali pedalamos juntos até o final. O trecho que se seguiu (do Km 100 ao 150) foi para mim o mais duro da prova, já sentia as panturrilhas e a cada km o bumbum cada vez mais quadrado…. Felizmente o trecho foi praticamente plano, com exceção do morro dos Ingleses.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Parei, tirei o tênis e o capacete, sentei na grama apoiado num coqueiro e descansei. O PC 3, em Ponta das Canas, parecia ter demorado o dobro do tempo para chegar – estava realmente cansado. Fui salvo pelo lanche, que tinha tudo à vontade – pães com geleia, maçã, banana, laranja e melancia, água e coca-cola. Eu que nunca tomo o “suco de dinossauro” , no dia me esbaldei e devo ter virado uns 2 litros ao longo dos PC’s. Só dispensei a club social recheada (com cheirinho de chulé ;)

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

O tal líquido que mais parece petróleo mostrou que funciona, meu ânimo aumentou nos 50 km finais e até voltei a fotografar. Num momento estávamos perto de Jurerê, era só pegar o Canto do Lamin, mas eis que a seta indicava outro caminho, uma volta gigante pela Vargem Pequena… e lá fomos nós pedalar mais e mais, e curtindo.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Em trechos como o da SC-403 de Jurerê (além dos Açores, Santinho e Ponta das Canas), era muito legal encontrar na ida os ciclistas que já estavam voltando, e na volta os que ainda estavam indo. Trocas de incentivo eram a tônica e ajudaram a passar rápido o trecho que restava.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Em Santo Antônio, paramos com o Erich para um salgado e água de côco, antes de curtir o fim de tarde típico de Cacupé: maravilhoso e cheio de subidas. Um encontro rápido com nosso amigo Adilson e logo estávamos comemorando a última subida no Saco Grande e a chegada ao final, já na boca da noite, após 12h de pedal.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Ali, um tanto cansados e muito felizes, tivemos mais um lanche, recebemos a medalha de participação e até uma massagem pra soltar a musculatura. Enquanto iso, saudamos a chegada d@s últimas participantes, com a grande amiga Hila, que obviamente curtiu pra caramba.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Estão de parabéns tod@s da equipe de apoio móvel e dos PC’s, polícias militar e especialmente a organização, por nos proporcionar apoio inpecável e um circuito perfeito. Se para quem mora na ilha estava ótimo, fico só imaginando para os que vêm de fora.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Uma sugestão para a organização é que ofereçam junto ao Audax 200 uma modalidade mais curta de 100 km, sem validade como Brevet, para incentivar pessoas que pedalam menos a entrar nesse mundo. Tomara que tenhamos mais e mais participantes nos anos seguintes, conhecendo a ilha e a si mesmos de uma forma tão especial.

Audax Floripa 2010 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Valeu, Audaxios@s! :Dudu (equipe CdS)


Veja todas as fotos:

Agito nos States.. até o último momento!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Tem horas que a inspiração pra escrever não aparece.. foi o que aconteceu nos últimos dois meses nos Estados Unidos. E não foi por falta de acontecimentos. Talvez a cabeça estivesse ainda processando tudo, agora no sossego da ilha tudo ficou mais fácil!

Mas voltemos à Califórnia. Nossa estada em Mendocino (ver o post anterior)  era para ser curta, 2 a 3 dias. O encontro com Chimi e Rich foi o início do prolongamento, compartilhamos com eles o camping de verão pra crianças, com direito a Hot Tub em meio à floresta.

Que tal nós dois... by you.
Hot tub in Mendocino Woodlands

Ficamos mais alguns dias na cidade pra curtir o aniversário da Tati, remando na costa e no Big River de Mendocino,  e escrever uma matéria, que até agora não vingou. O enfoque é na arquitetura charmosa, na natureza exuberante com costões escarpados e rios azul turquesa, e nos artistas hippies que mudaram pra lá nos anos 70 e ficaram. Foi no Frankie’s, mistura de sorveteria e casa de shows e reduto dessa galera autenticamente hippie, que conhecemos Liz, radialista que comanda um programa de world music, uma apaixonada por música brasileira e que nos acolheu de braços abertos.

Polinésia? by you.
Mendocino Big River

Sabendo da nossa necessidade de trabalho para continuar viajando, Liz e seu namorado, Frank, agilizaram de irmos pra casa dele, na Lost Coast, pois os vizinhos plantam maçã e precisavam de ajuda nessa época. E lá fomos pra Whale Gulch, localidade sem mercado, padaria, bar, nem eletricidade! Só uma escola, plantações e geradores. A casa do Frank, onde ficamos sem nenhum gasto além de comida, é movida a energia solar e uma micro hidrelétrica.

Frank & the Lost Coast by you.
Frank e a (quase) inacessível Lost Coast

Alguns dias de trabalhos como picar lenha e cavar buracos, logo chegou a hora de trabalhar na colheita, foi ótimo com 10h por dia logo juntamos a grana da passagem para a Nova Zelândia. Nesse meio tempo, Tati fez um corte no pé e no penúltimo dia eu caí de bicicleta, me ralando todo principalmente no punho e joelho esquerdo (sempre ele!), até com uma suspeita de fratura no punho. Já era hora de sair do “meio do mato” e a carona com Liz foi providencial. Eita tempo de benção e zica!

DSC_6968 by you.
Liz, the goddess of the station

Seguimos de Mendocino pra San Francisco de ônibus já que eu não podia pedalar. Cuidei bastante dos machucados, pois já estava chegando o dia de meu aniversário, 31 de outubro e Halloween, e nesse ano caiu na sexta-feira, dia da Critical Mass (bicicletada). Imagina, dois ícones de San Francisco, Halloween e Critical Mass, e nós lá!Já conseguia dobrar o joelho e a ameaça de fratura deixada pra trás. Pra exorcisar, minha fantasia foi de múmia/acidentado, depois nem queria mais olhar… a pedalada foi ótima, altíssimo astral, todo mundo fantasiado, muita música, lindo!

De tudo mesmo.... by you.
Tem de tudo na Critical Mass, especialmente no Halloween!

Dois dias depois, participamos da procissão do Dia de Los Muertos, a tradição mexicana de finados, que parecendo um desfile de carnaval, cultua os mortos e celebra a vida. Nossa guia para a procissão foi a Adriana, mexicana “da gema”, o que deu uma dimensão extra para a noite, com pré e pós festa.

Mona @ high style by you.

Mona Caron e seu companheiro em grande estilo

Nas semanas seguintes, em meio à aliviante vitória do Obama, preparativos para a nova fase: Nova Zelândia. Nos Estados Unidos viajei com uma carreta pois o quadro da Dália não aguentava tantos alforjes. Depois de me informar como era na NZ (acostamentos estreitos, menos respeito dos motoristas), resolvi por trocar o quadro da bici, operação complexa! Pra minha sorte o Jon, que de me hospedou por vários dias em sua casa, tinha uma Scott Sub novinha, bicicleta de cidade que estava sub-utilizada e concordou em trocar de quadro, os dois sairam ganhando, ele que ganhou um quadro urbano bem legal e confortável, com suspensão no garfo e selim, e eu que resolvi o problema de carregar meus alforjes e ainda com um quadro esperto e zerado.

De alma renovada by you.
A velha e nova Dália

Fiz todo o trabalho na Bike Kitchen, local onde ninguém faz nada por você: te ensinam a mexer em tudo na bicicleta, em uma oficina super completa, em troca de uma taxa super camarada. E se quiser, nem precisa pagar: basta ajudar outras pessoas a terem mais intimidade com suas bicicletas. Maravilha de iniciativa!

Bike Kitchen by you.
Bike kitchen – conhecimento para tod@s

Faltava testar, e fiz uma viagem de 3 dias na região de Point Reyes, local onde a falha de San Andreas – o encontro de placas tectônicas que faz a região tremer com tanta freqûencia – passa da terra pro mar. Ao sul, o terremoto é bem debaixo das casas (San Francisco em 1906 e 1989), ao norte eles criam tsunamis como o que lavou Crescent City nos anos 60. A região é maravilhosa, praias desertas e montanhas altas, tudo em meio ao fog… e a nova Dália foi aprovada, girou perfeito com toda a bagagem, pronta pra nova fase. Na volta pra San Francisco, tive minha primeira experiência no WarmShowers (site de troca de hospedagem para ciclistas) na casa do John Merlo, super atencioso e tão empolgado quanto eu, que fui seu primeiro hóspede através do grupo.

Na estrada! by you.
A estrada é o destino

Pra coroar a temporada nos Estados Unidos e San Francisco, nada melhor que uma pedalada com Chris Carlsson, que nos guiou em um Tour sobre a história do transporte coletivo da cidade, parte do seu excelente projeto Shaping San Francisco. Deu uma vontade de estar no pedal da história da ecologia, mas já estava aqui na Nova Zelândia….

Chris & Chris by you.

Chris aponta Chris no mural de Mona Caron sobre o transporte em SF

Prazer em conhecer, Estados Unidos! Quebrei vários preconceitos, graças às pessoas tão simpáticas e criativas que conheci nesses meses lá. E agora posso afirmar: vai ser bom voltar!

Últimas fotos da California

World Friends (atualizado)

Critical Mass (bicicletada) de Halloween

Dia de Los Muertos

Todas as fotos da viagem

Es gibt schon viele Informationen!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

No início desse ano, recebemos em Santa Catarina a visita da jornalista alemã Judith Weibrecht, em uma ação articulada pelo Eldn Jung de Blumenau. Ela veio conhecer o “mundo da bicicleta” catarinense, tanto o uso nas cidades como o cicloturismo.

Brasilien - Radhandschuhe
Foto: Judith Weibrecht

Saiu agora o sétimo artigo publicado na Alemanha com informações dessa visita, acesse para treinar seu Deutsche ou só pra olhar umas figurinhas (eu apareço em uma das fotos, tem que adivinhar qual ;) . Caminhos do Sertão, nossa operadora de cicloturismo, também foi citada para levar a alemãozada a girar pelo Vale Europeu. Legal!

Partiuuuuu !

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Parecia que estava tudo pronto, pus todos os alforjes em cima da Dália e fui mais uma vez mudar de casa em Portland. Naquele dia, era só descida e como sempre soltei os freios… eis que o guidão da bici começou a oscilar sinistramente…

Tentei resolver o problema com um cabo de aço, “transformando” o quadro da Dália de “feminino” pra “masculino”, até melhorou mas não 100%. Ao contrário das recomendações de alguns amigos viajantes, decidi: vou comprar uma carreta.

Dois amigos tinham carretas bem diferentes: de uma e duas rodas. Peguei as ditas emprestadas, pus toda a minha bagagem em cima (uma de cada vez, é claro) e subi o Mount Tabor, o morro mais alto daqui. A de uma roda (estilo Bob trailer) levou vantagem na subida, ela vi junto com a bici. Já na hora de parar, um desastre, faz a bici cair o tempo todo. Já a duas, tem um monte de espaço, fácil de carregar e tirar, desce super bem.. optei pela Burley Nomad, bem compacta, estreita (bom prara estradas movimentadas..) e vários compartimentos pra organizar minhas coisas.

Terminei meu trabalho na Clever Cycles, foram três semanas muito boas, conheci pessoas bem legais e dei um reforço no caixa. Ontem revisei a bici e a carreta, modifiquei a disposição da bagagem e me livrei de uma parte dela.

Daqui a pouco, pego um ônibus de Portland para Tillamook, no litoral. É um ônibus urbano que leva bicis, e me adiantará dois dias de viagem pro locias não muito interessantes. Começou!