Nesta quinta, 16/12, aconteceu a última edição da Mão Na Roda de 2010. Teve oficina do Márcio Campos sobre mecânica básica para cicloviagens, e na sequência fizemos ajustes em algumas bicis. A chuva forte espantou a galera que vai descer a Manuten-santos no sábado (aka. Rota Marcia Prado), que teria uma boa noção de mecânica. Mas aos que não estavam no Contraponto e não viram a transmissão ao vivo pelo site da Ciclocidade, ainda dá pra assistir a oficina na página da Mão na Roda
Desde o primeiro Audax de Floripa acompanho a trajetória randoneé do amigo e sócio Luiz Pereira, que após completar os 200 km da ilha, já fez entre outros o de 300 km em Criciúma eu treino insano de 400 km de ida e volta até Blumenau, sozinho. Este ano pretende passar dos 300, 400 e chegar aos 600 km. Apesar de admirar os feitos, até então eu não me instigava a desafiar meus limites nesta modalidade, não entendia por que testar o corpo pedalando 200 km – e ainda duvidada que fosse capaz disso.
O Audax, desafio surgido na França, tem uma regra simples. O percurso deve ser completado a uma média de velocidade mínma de 15 km/h. Não há primeiro ou último colocados, apenas um tempo máximo para completar, que no de 200 km é de 13 h 30 m. Para ciclistas profissionais e os que treinam com frequencia, é um passeio. Para cicloturistas, manter essa média de velocidade é fácil até os primeiros 50 km, depois vira um desafio daqueles!
Fui acompanhar o Pereira na reunião pré-Audax, na noite anterior ao evento, onde foram distribuídos os números, camisetas, planilhas. O clima era de festa, uma família de centenas de ciclistas. Gostei da descontração. Entre as palavras da noite, me tocou a história do Fabiano, que ano anterior participou de tala no pé, logo após 2 meses de gesso, e completou o Audax. Nessa momento, ouvi o clique. E não era de um pedal SPD… era eu mesmo, curioso pela brincadeira.
Conversei com o Della, incansável organizador da prova, que vendo minha empolgação abriu uma exceção pro atrasadinho: eis que o desafiante número 241 largaria dali a poucas horas. Ainda tivemos um jantar de massas e sorteio de brindes antes de disparar para casa, preparar o equipamento e ter algumas preciosas horas de sono.
Seis da manhã , lá estávamos eu, Pereira, Marcelo e Fernando de Maringá entre outros duzentos e poucos cilistas, na checagem de segurança: placa de número, farol dianteiro, pisca traseiro, colete refletivo, capacete, tudo nos conformes.
Enquanto o sol mostrava seus primeiros raios, aquecíamos as pernas cruzando a ponte para o continente por cima. Foi uma experiência incrível, assim como pedalar pelas ruas tranquilas da Floripa-continente e São José nas primeiras horas de domingo.
De volta à ilha, dessa vez pela passarela, a massa se dispersou em pequenos grupos de ritmo semelhante. Foi marcante passar pela Base Aérea, caminho mais curto e seguro entre o centro e sul da Ilha, infelizmente só permitido aos moradores do “condomínio fechado de luxo” da Aeronáutica durante os dias normais. Espero que esse privilégio acabe e em breve a população tenha direito aos caminhos de sua própria cidade.
Após repor as energias no primeiro PC, percorremos o querido sul da ilha, até a Praia dos Açores. O sol que nos acompanhou desde o primeiro minuto à chegada começou a ficar forte e optei por pedalar mais rápido antes do calor intenso do meio-dia, alternando a ponteira com mais dois colegas, Fernandes e Danilo.
Ao chegar na Lagoa da Conceição não resisti ao lindo visual e me desgarrei para uma foto, a cada parada ou trecho de retorno dezenas de ciclistas passavam, fazendo festa.
No segundo PC (alto do morro da Barra da Lagoa) reencontrei o Pereira, como sempre brincando e de alto astral, e dali pedalamos juntos até o final. O trecho que se seguiu (do Km 100 ao 150) foi para mim o mais duro da prova, já sentia as panturrilhas e a cada km o bumbum cada vez mais quadrado…. Felizmente o trecho foi praticamente plano, com exceção do morro dos Ingleses.
Parei, tirei o tênis e o capacete, sentei na grama apoiado num coqueiro e descansei. O PC 3, em Ponta das Canas, parecia ter demorado o dobro do tempo para chegar – estava realmente cansado. Fui salvo pelo lanche, que tinha tudo à vontade – pães com geleia, maçã, banana, laranja e melancia, água e coca-cola. Eu que nunca tomo o “suco de dinossauro” , no dia me esbaldei e devo ter virado uns 2 litros ao longo dos PC’s. Só dispensei a club social recheada (com cheirinho de chulé ;)
O tal líquido que mais parece petróleo mostrou que funciona, meu ânimo aumentou nos 50 km finais e até voltei a fotografar. Num momento estávamos perto de Jurerê, era só pegar o Canto do Lamin, mas eis que a seta indicava outro caminho, uma volta gigante pela Vargem Pequena… e lá fomos nós pedalar mais e mais, e curtindo.
Em trechos como o da SC-403 de Jurerê (além dos Açores, Santinho e Ponta das Canas), era muito legal encontrar na ida os ciclistas que já estavam voltando, e na volta os que ainda estavam indo. Trocas de incentivo eram a tônica e ajudaram a passar rápido o trecho que restava.
Em Santo Antônio, paramos com o Erich para um salgado e água de côco, antes de curtir o fim de tarde típico de Cacupé: maravilhoso e cheio de subidas. Um encontro rápido com nosso amigo Adilson e logo estávamos comemorando a última subida no Saco Grande e a chegada ao final, já na boca da noite, após 12h de pedal.
Ali, um tanto cansados e muito felizes, tivemos mais um lanche, recebemos a medalha de participação e até uma massagem pra soltar a musculatura. Enquanto iso, saudamos a chegada d@s últimas participantes, com a grande amiga Hila, que obviamente curtiu pra caramba.
Estão de parabéns tod@s da equipe de apoio móvel e dos PC’s, polícias militar e especialmente a organização, por nos proporcionar apoio inpecável e um circuito perfeito. Se para quem mora na ilha estava ótimo, fico só imaginando para os que vêm de fora.
Uma sugestão para a organização é que ofereçam junto ao Audax 200 uma modalidade mais curta de 100 km, sem validade como Brevet, para incentivar pessoas que pedalam menos a entrar nesse mundo. Tomara que tenhamos mais e mais participantes nos anos seguintes, conhecendo a ilha e a si mesmos de uma forma tão especial.
Na última quinta, dia 14/01, encontramos em Floripa a trupe que uma semana depois chegaria pedalando ao Forum Social Mundial 2010 em Porto Alegre. Eles nos contataram por sermos amigos, por morarmos em seu caminho e porque já fiz uma viagem de Floripa ao Forum Social em POA, nos idos de 2003. Dos 4 cicloviajantes, Mathias e Toni iniciaram a viagem em Praia Grande/SP. Depois de passar por BR’s, pegar muita chuva, atravessar as ilhas do Lagamar a jato e ter vários perrengues com pneus e aros, se juntaram em Joinville ao Giorgio e de lá seguiram pela BR-101 até Floripa, para economizar tempo.
No mesmo dia, Vcitor chegou de ônibus pra continuar a aventura da ilha até POA. Nos encontramos todos na Beira-Mar Norte para subirmos juntos o Morro da Lagoa, rumo à Casa CdS.
No dia seguinte, muitas trocas de histórias de pedal, manutenção nas bicicletas e lavar as roupas ;) Não poderia faltar uma pedalada turística, e fomos à Barra da Lagoa degustar um peixe com o pé na areia. À noite, passamos algumas dicas do roteiro que teriam pela frente, com algumas fotos pra dar água na boca.
No sábado, saimos eu, Jonatha e os 4 em direção ao Sul da Ilha, passando pelas ruas menos movimentadas do Campeche, Morro das Pedras, Lagoa do Peri e Riberião a Ilha. Em uma rua de lajotas no Campeche, o bagageiro do Mathias, que já se mostrou fragilizado na revisão do dia anterior, resolveu ficar por ali mesmo, a sorte foi ter conseguido uma oficina de bicicleta logo ali perto, e em menos de meia hora resolvemos com facilidade um problema que seria um grande pepino em um local mais isolado.
Para exorcizar de vez a zica nas bicicletas, fomos tomar um banho de lagoa do peri, e após um caldo de cana com pão caseiro de milho e café passado na hora, um segundo banho, desta vez no mar de dentro da ponta do Caiacanga-açu. Dali nos despedimos da trupe, que seguiu para a Caieira da Barra do Sul, onde pegaram o barco para sair da Ilha, evitando pedalar no trânsito da Grande Florianópolis. Neste dia – e nos dois seguintes – eles seguiram pela Rota das Baleias, destino no litoral ao sul de Floripa criado pela Caminhos do Sertão.
O Toni terminou a viagem em Araranguá, dois dias antes. Se juntou à trupe já em Porto Alegre, que mais uma vez mostrou ao mundo que uma nova mobilidade é possível.
Com a volta do Forum Social Mundial a Porto Alegre, um grupo de ciclistas de São Paulo planeja pôr em prática o tão alardeado novo mundo possível e chegar lá com o modo de transporte mais sustentável e integrador já inventado: a bicicleta, claro. Veja mais em http://pedalfsm2010.wordpress.com/
Fui contatado por essa galera muito gente fina pra dar umas dicas, por um simples motivo: em 2003, um grupo de Floripa (no qual me incluo ;) teve uma ideia semelhante. Na época a bicicletada local estava com a maior participação de sua história e era grande a empolgação tanto de pedalar como de ir ao Forum inserir a discussão da bicicleta no meio urbano, até então ausente. Junte-se a isso o fato de que ciclistas de Porto Alegre queriam iniciar a bicicletada por lá, e fez-se o plano: partir num grupo auto-organizado aos moldes da bicicletada, desde Floripa até Poa, para participar do Forum e fazer a 1a. bicicletada local. O resto é história…
Abaixo, o único relato que achei da viagem, publicado por mim no CMI (mídia independente) no calor do Forum, 1 dia antes da Bicicletada de Porto Alegre – que contou com mais de 150 participantes.
12 ciclistas viajam de Floripa para o FSM
Por eduardo green short 25/01/2003 às 08:47
Após 12 dias inesquecíveis de pedalada pela serra gaúcha, chegamos anteontem a Porto Alegre. Em meio à confusão de chegada de todos os grupos para o Forum Social Mundial, fomos entrevistados por dois jornais (Correio do Povo e Zero Hora)e pela RBS. Corre a lenda inclusive que aparecemos no Jornal da Globo de 22/1 e Bom Dia Brasil de 23/1.
A viagem foi tranquilissima, percorremos sem pressa os 700 km que separam Desterro (ex-Florianopolis) de Porto Alegre, no caminho pela Serra Geral. Entre os 12 integrantes do grupo(Dudu, Mel, Erik, Fábio, Mariana, Alê, Ana Paula, Halana, Esteban, Marcos, Daniel, Zucco e mais Caio e Rodrigo, que ficaram no caminho), havia desde cicloviajantes experientes até quem tivesse a bici há apenas dois meses (parabéns, Ana Paula!)
Durante todos os dias, o sol nos brindou com um clima que, apesar de bastante quente, ajudou nossos inúmeros banhos de cachoeira, roupas secas e alto astral.
Nos três primeiros dias, ajustando equipamentos, conhecendo os ritmos e gostos dos colegas, fomos nos aquecendo até Gravatal, nosso primeiro ponto-chave de parada, na casa do Consta, pai do Rodrigo, gentefiníssima, que nos proporcionou o primeiro banho quente da viagem, jantar, luau, café, apoio com muitos produtos naturais de sua loja Shambala e a companhia sua e de sua esposa Ceres. Foi lindo!
O grande barato da viagem foi pegarmos o caminho pela Serra que, apesar de ser aproximadamente 250 km mais longo, nos proporcionou a inesquecível subida noturna da Serra do Rio do Rastro, onde a chegada de cada membro em meio ao nevoeiro intenso foi comemorada como umavitória (são 16 km de subida, para o patamar de 1400 m de altitude).
No alto da serra encaramos o trecho mais difícil, entre Bom Jardim da Serra e Cambará do Sul, cerca de 140 km por estradas de chão com muita pedra, onde precisamos frear em muitas descidas. Foram os três dias mais difíceis, onde alguns integrantes do grupo pegaram caronas para guardar energia para os 250 km finais.
Cambará foi a única cidade em que ficamos por dois dias, num merecido descanso (para alguns!) no santuário N.S.de Caravaggio. Em toda a viagem, acampamos em locais muito agradáveis, seja próximo a cachoeiras ou de forte cultura regional, como o CTG de S.José dos Ausentes, cidade mais fria do Brasil (felizmente no inverno!), onde se iniciavao 25o. rodeio crioulo da região. Ah, se soubessem que quase todos somos vegetarianos….
Outro local muito peculiar da Serra foi uma estância semi-abandonada que usamos próxima à cachoeira dos Venâncios, em Cambará. Dormimos emuma autêntica casa de tropeiros, com direito a fogo de chão e história do “tradicionalista da Serra”, que some com aqueles que não andam a cavalo e não comem carne. Pra não dormir direito!
Para fechar com chave de ouro a passagem pelo Planalto, nos topamos descrentes com o Parque das Cachoeiras, em São Franscisco de Paula, com suas mais de 15 cachoeiras no meio dos cânions da borda do Planalto. Local para ficar mais de semana, pena que foram só algumas horas….
Não conseguimos ver tudo que queríamos, como os cânions de Cambará do Sul (pela serração), a cachoeira dos Venâncios (por causa de um temporal), as águas termais de Gravatal, Gramado e Canela e muitos outros lugares perto do nosso caminho.
Com certeza vivenciamos intensamente esses locais e de seu povo, que nos recebeu com muito carinho. Claro que viramos o comentário das cidades onde passamos! Uma viagem de 12 dias, onde gastamos em média 10 reais por dia cada um, conhecemos de forma barata e próxima a cultura local, bebendo de sua água, dependendo de seus habitantes para as coisas mais básicas (local para dormir, comida, banheiro, água) e por isso mais essenciais.
Dentro do grupo também houve muita troca de experiências, não só dentro do mundo de bicicletas e acampamentos, como de seus conhecimentos individuais (comunicação, biologia, engenharia, nutrição, música, marketing, medicina, etc.). Parece que nesses doze dias, ajudados pelo isolamento, o tempo parou e o mundo era o grupo, nossa casa estava nas costas e o destino esteve em nossas pernas.
No final, ao chegar à confusão do trânsito de POA e de 30.000 acampados no Forum Social Mundial, foi ainda maior o choque depois de tantos dias tranquilos e convívio quase familiar entre o grupo. Porém o momento é
outro, também muito intenso, de encontro com dezenas de movimentos socias, tão diversos como os faladores do esperanto, os anti-energia nuclear ou da resistência negra.
O movimento da bicicletada mostra que o meio de transporte com menor impacto e mais viável para as grandes cidades é com certeza, aliado a outras formas de deslocamento, a bicicleta. A bicicletada de domingo, dia 26/1, às 9:00 no brik da redenção, mostrará que muitos moradores de POA, assim como de São Paulo, Brasília e Desterro, já enxergam a bicicleta como um importante meio de transporte nas cidades médias e grandes do BRasil.
Obrigado a todos que nos ajudaram a concretizar essa linda viagem e torço para que muitas outras, feitas por cada vez mais pessoas, estejam por vir.
Tem horas que a inspiração pra escrever não aparece.. foi o que aconteceu nos últimos dois meses nos Estados Unidos. E não foi por falta de acontecimentos. Talvez a cabeça estivesse ainda processando tudo, agora no sossego da ilha tudo ficou mais fácil!
Mas voltemos à Califórnia. Nossa estada em Mendocino (ver o post anterior) era para ser curta, 2 a 3 dias. O encontro com Chimi e Rich foi o início do prolongamento, compartilhamos com eles o camping de verão pra crianças, com direito a Hot Tub em meio à floresta.
Hot tub in Mendocino Woodlands
Ficamos mais alguns dias na cidade pra curtir o aniversário da Tati, remando na costa e no Big River de Mendocino, e escrever uma matéria, que até agora não vingou. O enfoque é na arquitetura charmosa, na natureza exuberante com costões escarpados e rios azul turquesa, e nos artistas hippies que mudaram pra lá nos anos 70 e ficaram. Foi no Frankie’s, mistura de sorveteria e casa de shows e reduto dessa galera autenticamente hippie, que conhecemos Liz, radialista que comanda um programa de world music, uma apaixonada por música brasileira e que nos acolheu de braços abertos.
Mendocino Big River
Sabendo da nossa necessidade de trabalho para continuar viajando, Liz e seu namorado, Frank, agilizaram de irmos pra casa dele, na Lost Coast, pois os vizinhos plantam maçã e precisavam de ajuda nessa época. E lá fomos pra Whale Gulch, localidade sem mercado, padaria, bar, nem eletricidade! Só uma escola, plantações e geradores. A casa do Frank, onde ficamos sem nenhum gasto além de comida, é movida a energia solar e uma micro hidrelétrica.
Frank e a (quase) inacessível Lost Coast
Alguns dias de trabalhos como picar lenha e cavar buracos, logo chegou a hora de trabalhar na colheita, foi ótimo com 10h por dia logo juntamos a grana da passagem para a Nova Zelândia. Nesse meio tempo, Tati fez um corte no pé e no penúltimo dia eu caí de bicicleta, me ralando todo principalmente no punho e joelho esquerdo (sempre ele!), até com uma suspeita de fratura no punho. Já era hora de sair do “meio do mato” e a carona com Liz foi providencial. Eita tempo de benção e zica!
Liz, the goddess of the station
Seguimos de Mendocino pra San Francisco de ônibus já que eu não podia pedalar. Cuidei bastante dos machucados, pois já estava chegando o dia de meu aniversário, 31 de outubro e Halloween, e nesse ano caiu na sexta-feira, dia da Critical Mass (bicicletada). Imagina, dois ícones de San Francisco, Halloween e Critical Mass, e nós lá!Já conseguia dobrar o joelho e a ameaça de fratura deixada pra trás. Pra exorcisar, minha fantasia foi de múmia/acidentado, depois nem queria mais olhar… a pedalada foi ótima, altíssimo astral, todo mundo fantasiado, muita música, lindo!
Tem de tudo na Critical Mass, especialmente no Halloween!
Dois dias depois, participamos da procissão do Dia de Los Muertos, a tradição mexicana de finados, que parecendo um desfile de carnaval, cultua os mortos e celebra a vida. Nossa guia para a procissão foi a Adriana, mexicana “da gema”, o que deu uma dimensão extra para a noite, com pré e pós festa.
Mona Caron e seu companheiro em grande estilo
Nas semanas seguintes, em meio à aliviante vitória do Obama, preparativos para a nova fase: Nova Zelândia. Nos Estados Unidos viajei com uma carreta pois o quadro da Dália não aguentava tantos alforjes. Depois de me informar como era na NZ (acostamentos estreitos, menos respeito dos motoristas), resolvi por trocar o quadro da bici, operação complexa! Pra minha sorte o Jon, que de me hospedou por vários dias em sua casa, tinha uma Scott Sub novinha, bicicleta de cidade que estava sub-utilizada e concordou em trocar de quadro, os dois sairam ganhando, ele que ganhou um quadro urbano bem legal e confortável, com suspensão no garfo e selim, e eu que resolvi o problema de carregar meus alforjes e ainda com um quadro esperto e zerado.
A velha e nova Dália
Fiz todo o trabalho na Bike Kitchen, local onde ninguém faz nada por você: te ensinam a mexer em tudo na bicicleta, em uma oficina super completa, em troca de uma taxa super camarada. E se quiser, nem precisa pagar: basta ajudar outras pessoas a terem mais intimidade com suas bicicletas. Maravilha de iniciativa!
Bike kitchen – conhecimento para tod@s
Faltava testar, e fiz uma viagem de 3 dias na região de Point Reyes, local onde a falha de San Andreas – o encontro de placas tectônicas que faz a região tremer com tanta freqûencia – passa da terra pro mar. Ao sul, o terremoto é bem debaixo das casas (San Francisco em 1906 e 1989), ao norte eles criam tsunamis como o que lavou Crescent City nos anos 60. A região é maravilhosa, praias desertas e montanhas altas, tudo em meio ao fog… e a nova Dália foi aprovada, girou perfeito com toda a bagagem, pronta pra nova fase. Na volta pra San Francisco, tive minha primeira experiência no WarmShowers (site de troca de hospedagem para ciclistas) na casa do John Merlo, super atencioso e tão empolgado quanto eu, que fui seu primeiro hóspede através do grupo.
A estrada é o destino
Pra coroar a temporada nos Estados Unidos e San Francisco, nada melhor que uma pedalada com Chris Carlsson, que nos guiou em um Tour sobre a história do transporte coletivo da cidade, parte do seu excelente projeto Shaping San Francisco. Deu uma vontade de estar no pedal da história da ecologia, mas já estava aqui na Nova Zelândia….
Chris aponta Chris no mural de Mona Caron sobre o transporte em SF
Prazer em conhecer, Estados Unidos! Quebrei vários preconceitos, graças às pessoas tão simpáticas e criativas que conheci nesses meses lá. E agora posso afirmar: vai ser bom voltar!
No início desse ano, recebemos em Santa Catarina a visita da jornalista alemã Judith Weibrecht, em uma ação articulada pelo Eldn Jung de Blumenau. Ela veio conhecer o “mundo da bicicleta” catarinense, tanto o uso nas cidades como o cicloturismo.
Saiu agora o sétimo artigo publicado na Alemanha com informações dessa visita, acesse para treinar seu Deutsche ou só pra olhar umas figurinhas (eu apareço em uma das fotos, tem que adivinhar qual ;) . Caminhos do Sertão, nossa operadora de cicloturismo, também foi citada para levar a alemãozada a girar pelo Vale Europeu. Legal!
Parecia que estava tudo pronto, pus todos os alforjes em cima da Dália e fui mais uma vez mudar de casa em Portland. Naquele dia, era só descida e como sempre soltei os freios… eis que o guidão da bici começou a oscilar sinistramente…
Tentei resolver o problema com um cabo de aço, “transformando” o quadro da Dália de “feminino” pra “masculino”, até melhorou mas não 100%. Ao contrário das recomendações de alguns amigos viajantes, decidi: vou comprar uma carreta.
Dois amigos tinham carretas bem diferentes: de uma e duas rodas. Peguei as ditas emprestadas, pus toda a minha bagagem em cima (uma de cada vez, é claro) e subi o Mount Tabor, o morro mais alto daqui. A de uma roda (estilo Bob trailer) levou vantagem na subida, ela vi junto com a bici. Já na hora de parar, um desastre, faz a bici cair o tempo todo. Já a duas, tem um monte de espaço, fácil de carregar e tirar, desce super bem.. optei pela Burley Nomad, bem compacta, estreita (bom prara estradas movimentadas..) e vários compartimentos pra organizar minhas coisas.
Terminei meu trabalho na Clever Cycles, foram três semanas muito boas, conheci pessoas bem legais e dei um reforço no caixa. Ontem revisei a bici e a carreta, modifiquei a disposição da bagagem e me livrei de uma parte dela.
Daqui a pouco, pego um ônibus de Portland para Tillamook, no litoral. É um ônibus urbano que leva bicis, e me adiantará dois dias de viagem pro locias não muito interessantes. Começou!