Nesta quinta, 16/12, aconteceu a última edição da Mão Na Roda de 2010. Teve oficina do Márcio Campos sobre mecânica básica para cicloviagens, e na sequência fizemos ajustes em algumas bicis. A chuva forte espantou a galera que vai descer a Manuten-santos no sábado (aka. Rota Marcia Prado), que teria uma boa noção de mecânica. Mas aos que não estavam no Contraponto e não viram a transmissão ao vivo pelo site da Ciclocidade, ainda dá pra assistir a oficina na página da Mão na Roda
Oficinas comunitárias são locais maravilhosos. Sua ideia principal é promover a troca de conhecimento sobre a bicicleta e disponibilizar espaço e ferramentas para as pessoas manterem suas bicicletas Ao redor do mundo existem inúmeros espaços do tipo, cada uma com sua peculiaridade em termos de estrutura, modo de funcionamento, envolvimento de membros. Quando fiz a minha volta pelo mundo, frequentei bastante a Bike Kitchen, em San Francisco. E voltei querendo muito um espaço como esse na banda do sul do Equador.
A Mão na Roda é a oficina comunitária de São Paulo. Começou a funcionar em agosto/2010, ainda um bebê enquanto escrevo estas linhas. Mas um bebê forte, de família ciclista: a mãe é a CicloCidade, associação de ciclistas de São Paulo (dizem que essa é filha da bicicletada :), e o pai biológico é o Contraponto, que cede seu espaço para as atividades da oficina.
Estava com ida marcada pra Sampa, e claro, não perderia a oficina por nada. Mas como a Dália (minha bici) está bem regulada, não teria como pôr a mão na roda, apenas ajudar os outros – o que é super importante. Mas dá pra fazer mais, e dentro do programa de oficinas da Mão na Roda, ministrei a primeira- Clarear as Ideias
São Paulo tem um trânsito conhecido por sua maluquice, aqui é um dos locais em que @s ciclistas estão mais invisíveis, especialmente à noite. Aproveitei então pra falar sobre o temo de iluminação , como ver e ser visto à noite. A oficina teve um ótimo público e foi muito legal pois várias pessoas contribuiriam com a sua experiência de equipamentos, técinas para ver e ser visto, instalação e conserto das luzes, etc.
Ao final da falação, a galera do ArteMobilidade entregou à Mão na Roda o lucro do projeto (>500 reais), que trará à Mão na Roda um grande reforço em equipamentos e ferramentas. Valeu menin@s, foi lindo!
Para fechar a oficina, tivemos uma atividade: trouxe de Floripa retalhos de vinil refletivo (doação da Clic sinalização, na Lagoa) para serem colados no quadro e peças da bicicleta e ficarmos mais visíveis
Depois, teve mão na roda em algumas bicis, com regulagem de câmbio, instalação de bagageiro, ressureição de lanternas, etc. Participe do Mão na Roda também! Leve sua bici, doe ferramentas, seu conhecimento pra ajudar outr@s, a oficina é por nós, para nós.
Video oficial da ciclocidade:
Agradecemos a presença, seguem algumas fotos:
Desde o primeiro Audax de Floripa acompanho a trajetória randoneé do amigo e sócio Luiz Pereira, que após completar os 200 km da ilha, já fez entre outros o de 300 km em Criciúma eu treino insano de 400 km de ida e volta até Blumenau, sozinho. Este ano pretende passar dos 300, 400 e chegar aos 600 km. Apesar de admirar os feitos, até então eu não me instigava a desafiar meus limites nesta modalidade, não entendia por que testar o corpo pedalando 200 km – e ainda duvidada que fosse capaz disso.
O Audax, desafio surgido na França, tem uma regra simples. O percurso deve ser completado a uma média de velocidade mínma de 15 km/h. Não há primeiro ou último colocados, apenas um tempo máximo para completar, que no de 200 km é de 13 h 30 m. Para ciclistas profissionais e os que treinam com frequencia, é um passeio. Para cicloturistas, manter essa média de velocidade é fácil até os primeiros 50 km, depois vira um desafio daqueles!
Fui acompanhar o Pereira na reunião pré-Audax, na noite anterior ao evento, onde foram distribuídos os números, camisetas, planilhas. O clima era de festa, uma família de centenas de ciclistas. Gostei da descontração. Entre as palavras da noite, me tocou a história do Fabiano, que ano anterior participou de tala no pé, logo após 2 meses de gesso, e completou o Audax. Nessa momento, ouvi o clique. E não era de um pedal SPD… era eu mesmo, curioso pela brincadeira.
Conversei com o Della, incansável organizador da prova, que vendo minha empolgação abriu uma exceção pro atrasadinho: eis que o desafiante número 241 largaria dali a poucas horas. Ainda tivemos um jantar de massas e sorteio de brindes antes de disparar para casa, preparar o equipamento e ter algumas preciosas horas de sono.
Seis da manhã , lá estávamos eu, Pereira, Marcelo e Fernando de Maringá entre outros duzentos e poucos cilistas, na checagem de segurança: placa de número, farol dianteiro, pisca traseiro, colete refletivo, capacete, tudo nos conformes.
Enquanto o sol mostrava seus primeiros raios, aquecíamos as pernas cruzando a ponte para o continente por cima. Foi uma experiência incrível, assim como pedalar pelas ruas tranquilas da Floripa-continente e São José nas primeiras horas de domingo.
De volta à ilha, dessa vez pela passarela, a massa se dispersou em pequenos grupos de ritmo semelhante. Foi marcante passar pela Base Aérea, caminho mais curto e seguro entre o centro e sul da Ilha, infelizmente só permitido aos moradores do “condomínio fechado de luxo” da Aeronáutica durante os dias normais. Espero que esse privilégio acabe e em breve a população tenha direito aos caminhos de sua própria cidade.
Após repor as energias no primeiro PC, percorremos o querido sul da ilha, até a Praia dos Açores. O sol que nos acompanhou desde o primeiro minuto à chegada começou a ficar forte e optei por pedalar mais rápido antes do calor intenso do meio-dia, alternando a ponteira com mais dois colegas, Fernandes e Danilo.
Ao chegar na Lagoa da Conceição não resisti ao lindo visual e me desgarrei para uma foto, a cada parada ou trecho de retorno dezenas de ciclistas passavam, fazendo festa.
No segundo PC (alto do morro da Barra da Lagoa) reencontrei o Pereira, como sempre brincando e de alto astral, e dali pedalamos juntos até o final. O trecho que se seguiu (do Km 100 ao 150) foi para mim o mais duro da prova, já sentia as panturrilhas e a cada km o bumbum cada vez mais quadrado…. Felizmente o trecho foi praticamente plano, com exceção do morro dos Ingleses.
Parei, tirei o tênis e o capacete, sentei na grama apoiado num coqueiro e descansei. O PC 3, em Ponta das Canas, parecia ter demorado o dobro do tempo para chegar – estava realmente cansado. Fui salvo pelo lanche, que tinha tudo à vontade – pães com geleia, maçã, banana, laranja e melancia, água e coca-cola. Eu que nunca tomo o “suco de dinossauro” , no dia me esbaldei e devo ter virado uns 2 litros ao longo dos PC’s. Só dispensei a club social recheada (com cheirinho de chulé ;)
O tal líquido que mais parece petróleo mostrou que funciona, meu ânimo aumentou nos 50 km finais e até voltei a fotografar. Num momento estávamos perto de Jurerê, era só pegar o Canto do Lamin, mas eis que a seta indicava outro caminho, uma volta gigante pela Vargem Pequena… e lá fomos nós pedalar mais e mais, e curtindo.
Em trechos como o da SC-403 de Jurerê (além dos Açores, Santinho e Ponta das Canas), era muito legal encontrar na ida os ciclistas que já estavam voltando, e na volta os que ainda estavam indo. Trocas de incentivo eram a tônica e ajudaram a passar rápido o trecho que restava.
Em Santo Antônio, paramos com o Erich para um salgado e água de côco, antes de curtir o fim de tarde típico de Cacupé: maravilhoso e cheio de subidas. Um encontro rápido com nosso amigo Adilson e logo estávamos comemorando a última subida no Saco Grande e a chegada ao final, já na boca da noite, após 12h de pedal.
Ali, um tanto cansados e muito felizes, tivemos mais um lanche, recebemos a medalha de participação e até uma massagem pra soltar a musculatura. Enquanto iso, saudamos a chegada d@s últimas participantes, com a grande amiga Hila, que obviamente curtiu pra caramba.
Estão de parabéns tod@s da equipe de apoio móvel e dos PC’s, polícias militar e especialmente a organização, por nos proporcionar apoio inpecável e um circuito perfeito. Se para quem mora na ilha estava ótimo, fico só imaginando para os que vêm de fora.
Uma sugestão para a organização é que ofereçam junto ao Audax 200 uma modalidade mais curta de 100 km, sem validade como Brevet, para incentivar pessoas que pedalam menos a entrar nesse mundo. Tomara que tenhamos mais e mais participantes nos anos seguintes, conhecendo a ilha e a si mesmos de uma forma tão especial.
Recentemente participei de um concurso de fotos, promovido pelo blog norte-americano EcoVelo.info. Poderia enviar uma única foto, sob o tema “Endless Summer” (verão sem fim). A ideia do concurso era inspirar a galera a continuar pedalando mesmo no inverno, já que nas bandas do Norte o frio já estava forte.
Enviei esta foto de Portland (Oregon-Eua), feita na temporada que passei lá, em junho de 2008. Foi num dia de Bicicletada (Critical Mass), um tanto diferente da brasileira e até mesmo de outros lugares do mundo e dos Eua, já que depois de anos tentando reprimir o movimento – até mesmo com violência – a polícia local resolveu juntar-se à massa na pedalada.
Claro que presença da polícia na bicicletada tirou um tanto da espontaneidade da manifestação, mas os amigos da lei até que eram divertidos, consegui registrar um momento descontraído de um dos ciclo-policiais e com essa foto recebi o segundo lugar geral no concurso. Vale a pena conferir as fotos finalistas, todas muito inspiradoras – não deixe de conferir também as menções honrosas (honorable Mentions).
Agradeço o reconhecimento! Boas pedaladas de verão a tod@s :Dudu
Na última quinta, dia 14/01, encontramos em Floripa a trupe que uma semana depois chegaria pedalando ao Forum Social Mundial 2010 em Porto Alegre. Eles nos contataram por sermos amigos, por morarmos em seu caminho e porque já fiz uma viagem de Floripa ao Forum Social em POA, nos idos de 2003. Dos 4 cicloviajantes, Mathias e Toni iniciaram a viagem em Praia Grande/SP. Depois de passar por BR’s, pegar muita chuva, atravessar as ilhas do Lagamar a jato e ter vários perrengues com pneus e aros, se juntaram em Joinville ao Giorgio e de lá seguiram pela BR-101 até Floripa, para economizar tempo.
No mesmo dia, Vcitor chegou de ônibus pra continuar a aventura da ilha até POA. Nos encontramos todos na Beira-Mar Norte para subirmos juntos o Morro da Lagoa, rumo à Casa CdS.
No dia seguinte, muitas trocas de histórias de pedal, manutenção nas bicicletas e lavar as roupas ;) Não poderia faltar uma pedalada turística, e fomos à Barra da Lagoa degustar um peixe com o pé na areia. À noite, passamos algumas dicas do roteiro que teriam pela frente, com algumas fotos pra dar água na boca.
No sábado, saimos eu, Jonatha e os 4 em direção ao Sul da Ilha, passando pelas ruas menos movimentadas do Campeche, Morro das Pedras, Lagoa do Peri e Riberião a Ilha. Em uma rua de lajotas no Campeche, o bagageiro do Mathias, que já se mostrou fragilizado na revisão do dia anterior, resolveu ficar por ali mesmo, a sorte foi ter conseguido uma oficina de bicicleta logo ali perto, e em menos de meia hora resolvemos com facilidade um problema que seria um grande pepino em um local mais isolado.
Para exorcizar de vez a zica nas bicicletas, fomos tomar um banho de lagoa do peri, e após um caldo de cana com pão caseiro de milho e café passado na hora, um segundo banho, desta vez no mar de dentro da ponta do Caiacanga-açu. Dali nos despedimos da trupe, que seguiu para a Caieira da Barra do Sul, onde pegaram o barco para sair da Ilha, evitando pedalar no trânsito da Grande Florianópolis. Neste dia – e nos dois seguintes – eles seguiram pela Rota das Baleias, destino no litoral ao sul de Floripa criado pela Caminhos do Sertão.
O Toni terminou a viagem em Araranguá, dois dias antes. Se juntou à trupe já em Porto Alegre, que mais uma vez mostrou ao mundo que uma nova mobilidade é possível.
Quem nunca adaptou, enjambrou, fez gambiarras, inventou novas soluções para a sua bicicleta? As gambiarras são a pura tradução da filosofia “ocotenho” -”é o que tenho”, ou seja, usar os materiais à mão – mais um dos neologismos do grande amigo Luiz Pereira, traduzida na prática através da solução pro parafuso que ele não dispunha pra prender o farol da bicicleta:
Seja por estar numa roubada sem ferramentas ou peças à mão, estar sem grana pra comprar o equipamento certo, não achar pra vender no Brasil “aquele” acessório gringo ou simplesmente por adorar inventar coisas novas, é muito comum no meio ciclístico adotar soluções caseiras pra consertar ou melhorar a bici, é a cultura do faça você mesmo, tão valorizada em alguns países sob o nome DIY (do it yourself) e vista aqui como “única solução de quem não pode comprar”. Puro engano, é dessas iniciativas que nascem grandes inventos.
É o caso de André e Ana Vivian do blog Predarilhos, que resolveram o problema de espaço pra guardar as bicicletas em casa. Criaram um suporte de teto para a bicicleta. Não satisfeitos, fizeram um protetor de corrente com pedaços de pneu usado.
Fotos: Pedarilhos
A Carry Freedom, fabricante americana de carretas para bicicleta de diversos tamanhos e modelos, disponibiliza um plano para a construção de carreta usando bambu, para ser usado por aqueles que jamais terão ace$$o às suas ótimas carretas.
As soluções artesanais não se restringem a produções de só uma unidade, feitas para o próprio inventor. Quando estive em Portland, vi muitas pessoas usando um alforje construído com latas plásticas usadas. Ele é fabricado pela loja cooperativa CityBikes, baseado em um plano disponível na internet e vendido a um preço bem justo, que ao mesmo tempo é acessível aos ciclistas e traz algum lucro para a loja
O Márcio Campos, amigo ciclista de Sampa, vai descer até o RS de magrela, e tá preocupado com razão em conseguir ver o que se passa atrás. Aliás, é por esse mesmo motivo que retrovisor é obrigatório nas bicicletas (bem como campainha), porém além das bicis novas virem sem retrovisor, não se acha no mercado um espelho decente pra vender. Por isso, ele resolveu pôr a mão na massa (e aceitou compartilhar o processo com o mundo) :
faça seu retrovisor “the Flash”…
Há muito estou querendo fazer um retrovisor de capacete, a primeira vez que vi um foi em 96, com um colega de pedal de estradas, era importado, tenho fotos do cara com a coisa bizarra à época, rs… Essa coisa nunca pegou, e por aqui então, é novidade até hoje.
A minha viagem está perto e eu sem tempo pra resolver um monte de coisas. Uma resolvi. Poderia ter arranjado um espelho convexo, ter feito o corte com serra copo para vidro, e tal, e depois emoldurado com borracha, coldo uma haste com durepoxi, etc, etc…coisa que eu adoro fazer é trabalhar esse ferramental. Mas sem tempo, sempre que vou cuidar da viagem alguém me interronpe por trabalho, tive que garimpar e achei a solução “the flash”.
Espelho bucal de dentista nº 5, encontrado em lojas de material de odonto. Míseros R$ 4,00 ( tem lojas que é sub 3 reais), um espelho de ótimo acabamento e feito em aço inox finíssimo. E comprei ainda o cabo extensor por R$ 2,80. E por esse preço não precisa pensar muito se deve ou não improvisar haste, cortar espelho, lixar isso e aquilo, durepoxi, araldite…
O cabinho dele é reto, eu conformei em curva “s” para melhor posição :
Foto: Márcio Campos
Olha o acabamento do espelho, e a haste :.
Foto: Márcio Campos
Passei esmalte de unha como trava rosca na hastezinha do espelho :
Foto: Márcio Campos
Foto: Márcio Campos
Foto: Márcio Campos
Fiz com cuidado um furo na lateral com broca de diâmetro menor que o da haste, meu capa é da idade da pedra (96), não tive dó, se o seu é novinho tem muitas aberturas de ventilação e vc pode fixar o espelho com braçadeiras Hellerman :
Foto: Márcio Campos
Foto: Márcio Campos
Eu não fixei a haste com cola de cara, apenas enfiei no isopor e já deu boa fixação sem movimento. Fiz assim para fazer o ajuste fino de ângulo durante o pedal inicial :
Foto: Márcio Campos
Foto: Márcio Campos
Após entortar o eixo e encontrar a posição ideal, eu passei cola araldite (cola branca deve servir também) na haste e coloquei definiivo, fazendo o último ajuste pedalando na rua ainda com a cola molhada :
Foto: Márcio Campos
A experiência hoje no trãnsito foi muito boa, na estrada movimentada evitará ter de ficar virando pra trás o tempo todo. Vai ajudar muito a não me assustar com caminhões se aproximando rápido ou poder desenvolver melhor pedalando no meio da pista em estradas de acostamento ruim e pouco movimento, com um olho no retrovisor sempre.
É isso, fica a dica. Abraços, Márcio
ATENÇÃO – antes de fazer um espelho igual, leia a observação nos comentários do Post
Valeu, Márcio! Continue sendo inventivo! Quem tiver outras ideias e quiser divulgar, entre em contato que eu publico aqui.
A Alliance for Biking & Walking, entidade que promove o caminhar e pedalar na América do Norte, lançou um concurso fotográfico para ampliar seu banco de imagens de caminhadas, pedaladas, ruas completas, imagens inspiradoras, entre outras.
Encarei o desafio e enviei algumas imagens que registrei em minha passagem pelos Eua em 2008. A votação popular, que termina em poucos dias, escolherá as 10 melhores imagens em cada categoria, depois um júri fará a decisão final.
Seguem abaixo as imagens que enviei, ao clicar em cada uma delas se abre a página no concurso. Para votar, basta escolher quantas estrelas ela vale. (p. ex, para 5 estrelas clique na estrela mais à direita ;-)
Agradeço a força d@s amig@s. Quem sabe vou fazer mais fotos inspiradoras na Toscana !
Com a volta do Forum Social Mundial a Porto Alegre, um grupo de ciclistas de São Paulo planeja pôr em prática o tão alardeado novo mundo possível e chegar lá com o modo de transporte mais sustentável e integrador já inventado: a bicicleta, claro. Veja mais em http://pedalfsm2010.wordpress.com/
Fui contatado por essa galera muito gente fina pra dar umas dicas, por um simples motivo: em 2003, um grupo de Floripa (no qual me incluo ;) teve uma ideia semelhante. Na época a bicicletada local estava com a maior participação de sua história e era grande a empolgação tanto de pedalar como de ir ao Forum inserir a discussão da bicicleta no meio urbano, até então ausente. Junte-se a isso o fato de que ciclistas de Porto Alegre queriam iniciar a bicicletada por lá, e fez-se o plano: partir num grupo auto-organizado aos moldes da bicicletada, desde Floripa até Poa, para participar do Forum e fazer a 1a. bicicletada local. O resto é história…
Abaixo, o único relato que achei da viagem, publicado por mim no CMI (mídia independente) no calor do Forum, 1 dia antes da Bicicletada de Porto Alegre – que contou com mais de 150 participantes.
12 ciclistas viajam de Floripa para o FSM
Por eduardo green short 25/01/2003 às 08:47
Após 12 dias inesquecíveis de pedalada pela serra gaúcha, chegamos anteontem a Porto Alegre. Em meio à confusão de chegada de todos os grupos para o Forum Social Mundial, fomos entrevistados por dois jornais (Correio do Povo e Zero Hora)e pela RBS. Corre a lenda inclusive que aparecemos no Jornal da Globo de 22/1 e Bom Dia Brasil de 23/1.
A viagem foi tranquilissima, percorremos sem pressa os 700 km que separam Desterro (ex-Florianopolis) de Porto Alegre, no caminho pela Serra Geral. Entre os 12 integrantes do grupo(Dudu, Mel, Erik, Fábio, Mariana, Alê, Ana Paula, Halana, Esteban, Marcos, Daniel, Zucco e mais Caio e Rodrigo, que ficaram no caminho), havia desde cicloviajantes experientes até quem tivesse a bici há apenas dois meses (parabéns, Ana Paula!)
Durante todos os dias, o sol nos brindou com um clima que, apesar de bastante quente, ajudou nossos inúmeros banhos de cachoeira, roupas secas e alto astral.
Nos três primeiros dias, ajustando equipamentos, conhecendo os ritmos e gostos dos colegas, fomos nos aquecendo até Gravatal, nosso primeiro ponto-chave de parada, na casa do Consta, pai do Rodrigo, gentefiníssima, que nos proporcionou o primeiro banho quente da viagem, jantar, luau, café, apoio com muitos produtos naturais de sua loja Shambala e a companhia sua e de sua esposa Ceres. Foi lindo!
O grande barato da viagem foi pegarmos o caminho pela Serra que, apesar de ser aproximadamente 250 km mais longo, nos proporcionou a inesquecível subida noturna da Serra do Rio do Rastro, onde a chegada de cada membro em meio ao nevoeiro intenso foi comemorada como umavitória (são 16 km de subida, para o patamar de 1400 m de altitude).
No alto da serra encaramos o trecho mais difícil, entre Bom Jardim da Serra e Cambará do Sul, cerca de 140 km por estradas de chão com muita pedra, onde precisamos frear em muitas descidas. Foram os três dias mais difíceis, onde alguns integrantes do grupo pegaram caronas para guardar energia para os 250 km finais.
Cambará foi a única cidade em que ficamos por dois dias, num merecido descanso (para alguns!) no santuário N.S.de Caravaggio. Em toda a viagem, acampamos em locais muito agradáveis, seja próximo a cachoeiras ou de forte cultura regional, como o CTG de S.José dos Ausentes, cidade mais fria do Brasil (felizmente no inverno!), onde se iniciavao 25o. rodeio crioulo da região. Ah, se soubessem que quase todos somos vegetarianos….
Outro local muito peculiar da Serra foi uma estância semi-abandonada que usamos próxima à cachoeira dos Venâncios, em Cambará. Dormimos emuma autêntica casa de tropeiros, com direito a fogo de chão e história do “tradicionalista da Serra”, que some com aqueles que não andam a cavalo e não comem carne. Pra não dormir direito!
Para fechar com chave de ouro a passagem pelo Planalto, nos topamos descrentes com o Parque das Cachoeiras, em São Franscisco de Paula, com suas mais de 15 cachoeiras no meio dos cânions da borda do Planalto. Local para ficar mais de semana, pena que foram só algumas horas….
Não conseguimos ver tudo que queríamos, como os cânions de Cambará do Sul (pela serração), a cachoeira dos Venâncios (por causa de um temporal), as águas termais de Gravatal, Gramado e Canela e muitos outros lugares perto do nosso caminho.
Com certeza vivenciamos intensamente esses locais e de seu povo, que nos recebeu com muito carinho. Claro que viramos o comentário das cidades onde passamos! Uma viagem de 12 dias, onde gastamos em média 10 reais por dia cada um, conhecemos de forma barata e próxima a cultura local, bebendo de sua água, dependendo de seus habitantes para as coisas mais básicas (local para dormir, comida, banheiro, água) e por isso mais essenciais.
Dentro do grupo também houve muita troca de experiências, não só dentro do mundo de bicicletas e acampamentos, como de seus conhecimentos individuais (comunicação, biologia, engenharia, nutrição, música, marketing, medicina, etc.). Parece que nesses doze dias, ajudados pelo isolamento, o tempo parou e o mundo era o grupo, nossa casa estava nas costas e o destino esteve em nossas pernas.
No final, ao chegar à confusão do trânsito de POA e de 30.000 acampados no Forum Social Mundial, foi ainda maior o choque depois de tantos dias tranquilos e convívio quase familiar entre o grupo. Porém o momento é
outro, também muito intenso, de encontro com dezenas de movimentos socias, tão diversos como os faladores do esperanto, os anti-energia nuclear ou da resistência negra.
O movimento da bicicletada mostra que o meio de transporte com menor impacto e mais viável para as grandes cidades é com certeza, aliado a outras formas de deslocamento, a bicicleta. A bicicletada de domingo, dia 26/1, às 9:00 no brik da redenção, mostrará que muitos moradores de POA, assim como de São Paulo, Brasília e Desterro, já enxergam a bicicleta como um importante meio de transporte nas cidades médias e grandes do BRasil.
Obrigado a todos que nos ajudaram a concretizar essa linda viagem e torço para que muitas outras, feitas por cada vez mais pessoas, estejam por vir.