Pedalar pro trabalho ??? Claro que sim!

14 de maio de 2009
alto estilo em Stuttgart - Alemanha

A idéia é pegar a galera que “até iria pedalando” pro trabalho, descobrir o que as impede de subir na bicicleta em um dia normal, ajudá-las a superar a dificuldade e torná-las mais um “pedalante pro trabalho” (qual seria a tradução pra bike commuter ??)

O evento chama-se Dia de Pedalar pro Trabalho, ou na língua nativa da idéia Bike to Work Day. Em alguns lugares dos EUA como em San Francisco é dia 14 de maio, na maioria dia 15 (como em Idaho, San Diego-ca, Portland-or, e mesmo nacionalmente), sendo que em cada local a galera inventa uma maneira de pôr mais gente a pedalar . Por exemplo em San Diego, nesse dia você viaja de graça nos ônibus, que possuem racks para bicicleta. Além disso há pontos de descanso espalhados pela cidade, com distribuição de água, lanches e o principal: incentivo!

barreiras (quase) intransponíveis...pré-conceitos - yehudamoon.com

Como estou na Nova Zelândia e não nos EUA, vamos à realidade local. Não vi nem ouvir falar nada de Bike to Work Day por aqui, ao menos em Auckland, onde estou agora. Por coincidência (mentira, nada é por acaso nesse mundo), justo ontem conheci a Bike Central. Por fora parece “mais uma” loja de bicicleta, mas já na entrada várias mesas e uma máquina de café me fizeram dar um passo atrás - será que entrei na porta certa? Umas bicicletas ali atrás confirmam que é ali mesmo.

café com pedalcombinação perfeita

A Bike Central é um espaço para “trabalhadores de escritório” que pedalam pro trabalho, e para tanto criou um serviço que quebra as barreiras que essas pessoas enfrentam:

  • sua bicicleta fica estacionada dentro da loja (perfeito pras máquinas de milhares de dólares!)
  • tem um chuveiro limpo, quente e chique :P - toalha por conta da casa!
  • tem um armário só seu pra guardar as roupas de trabalho e bugingangas
  • uma oficina faz os pequenos reparos na bici enquanto você labuta
  • local agradável tomar um café antes de encarar o chefe e depois de fechar vários negócios
  • acesso a internet sem fio (o famoso wireless ;) gratuito para membros
  • aluguel de bicicletas, venda de acessórios, etc, etc

Parece algo muito refinado, mas é acessível - ser membro custa NZ$25 por semana (uns R$ 125 por mês) e dá direito ao armário, local pra bici, chuveiro e até mesmo roupa de pedal lavada no fim de um dia de chuva. Pra ciclistas guerreiros isso tudo pode parecer frescura, mas estamos falando de pôr a pedalar gente que anda no conforto do carro, não é mesmo??

suor? que nada! yehudamoon.com

Depois que já estiverem mais acostumados à rotina do pedal e descobrirem que não precisa trocar de roupa pra pedalar e que normalmente não se sua tanto assim, aí passamos ao bicicletário da Ascobike em Mauá (Grande SP), localizado na estação do trem pra São Paulo e que oferece:

  • local seguro pra estacionar a bici (24 horas!) - com 1700 vagas…
  • compressor de ar e oficina - com empréstimo de bicicletas caso a sua não fique pronta a tempo
  • cafezinho, água e até graxa pra sapatos!
bicicletário - foto: Ascobike.org.brfoto: Ascobike.org.br

Para saber mais sobre a Ascobike, acesse posts no Apocalipse Motorizado, Transporte Ativo, o video da StreetFilms (infelizmente algumas falas em inglês, sem legendas..) ou ainda o site da Ascobike.

Agora vou aproveitar meu último dia na Nova Zelândia e pedalar um pouco! Enquanto isso, veja algumas fotos da Bike Central e Auckland.

As tirinhas  são do Yehuda Moon -  dica do Vá de Bike, que também publicou um artigo sobre o Dia de Pedalar pro Trabalho

Quebra tudo!

13 de maio de 2009

Cada vez mais ouvimos falar - e vemos nos blogs - sobre bicicletas de relação fixas, sua beleza, os truques que fazem em cima das elegantes fixies. Entre seus adeptos, a grande maioria é de marmanjos, talvez por que a “cultura fixie” tenha surgido entre os bike messengers, profissão quase exclusivamente masculina ao redor do mundo.

Mas a pedalada mais linda que já vi até hoje sobre uma fixa - quiçá sobre qualquer bicicleta - foi feita bem antes da moda das fixies, pelo jeito numa apresentação de fim de semestre de uma escola alemã, por uma garota:

Se eu aprendesse 3% do que ela faz, estaria com o sorriso nas orelhas!

Pausa pra… descanso?

24 de abril de 2009

Vida de ciclista não é só pedalar, bem como a vida nômade é mais que simplesmente pular de um lugar ao outro. Desde junho passado minha rotina tem sido apreciar novos horizontes, ao lado de novas pessoas, os locais passando como instantâneos, quase fotografias.

Já houve momentos de estar mais quieto, como em Portland e San Francisco, mas sempre pulando de casa em casa, em tempos relativamente curtos, em cada cidade menos de um mês. Até agora, a única situação de perceber mudanças em um local foi estar em SF no verão - super gelado, dois casacos, luva, gorro - e novamente no outono, dessa vez mais agradável, sol batendo.

Na Nova Zelândia, fui nômade desde o começo, o lugar onde mais fuquei foi Coromandel, por looongas duas semanas ;) De lá, muito pedal até a Ilha do Sul, onde novamente parei por duas semanas em Motueka, onde estive em um retiro de meditação.

Dali novamente pé na estrada, na viagem de um mês por Bali não esquentei uma cama por mais de três dias… o que foi muito bom, pra conhecer a ilha e seu povo.

De volta à Nova Zelândia, era hora de trabalhar. Ao reencontrar Engelbert, amigo que conheci pedalando na Costa do Oregon/Eua, veio o trampo: colher maçãs. Desafio nada fácil: 25 mangos pra cada caixa de maçã - 400 kilos de frutos do coração. É maçã do despertar ao anoitecer, bastante dor nas costas, compensada pelo dindin no bolso - e uma grata sensação de estar sendo produtivo. Afinal, estar só curtindo é legal, mas também cansa. É sério :P

Mais uma caixa! by you.

Mas havia algo mais sutil que a necessidade de trabalho. Ter uma rotina, criar laços mais profundos com pessoas, poder sentir-se em casa, já saber que caminho pegar e onde estão os copos, deitar numa cama quentinha…

Numa manhã bela, fria - e solitária - colhendo maçãs, o telefone tocou. Era Visnu, amigo do Vistara (local onde ocorreu o retiro) me chamando pra trabalhar em outra fazenda.  Poderia morar em uma casa ao invés do trailer em que estava, praticar meditação todos os dias, partilhar refeições, acender a lareira.

Larguei na hora minha bolsa de colher maçãs, pedalei os 25 km que me separavam da nova fazenda e mesmo inicando às 11 da manhã, naquele dia colhi 4 caixas, em um tempo bem menor que no local anterior. Quando no sentimos bem, tudo flui melhor…

As três semanas que passei na primeira fazenda levaram décadas a passar… já as mesmas três, trabalhando em um lugar legal e morando junto a amigos, foram como um piscar de olhos. Eis que chegou a hora de partir, cada minuto um novo visual, sentir novos cheiros e ver novos rostos.

rio Motueka by you.

O tempo em Motueka me preencheu com a sensação de pertencer a um lugar.  Ver as estações passarem, no verão derreter de calor e pular no rio, no outono me arepiar de frio e acender a lareira. Ver as montanhas receberem a primeira neve e as árvores mudarem do verde para o amarelo e vermelho, se despirem.

Me chamou a atenção um texto de Eduardo Galeano,  diz mais ou menos que

A utopia está lá no horizonte.
Me aproximo dois passos, ela se afasta dois …
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve a utopia?
… para que eu não deixe de caminhar!

Eis que a utopia me chama novamente, três meses após chegar à região mais ensolarada da Nova Zelândia, tempo esse que trouxe algumas trovoadas, arco-íris na lua cheia, o céu mais estrelado que já vi e muito sol, sol! Parto rumo oeste, sul.. pra região mais chuvosa e fria do país, agora é tempo de ver os glaciares, fiordes e claro, viajar de bicicleta.

Hey! by you.

Vou pedalar pra alcançar a utopia!

p.s - pra ver fotos, veja  o post anterior

Fotos, fotos e fotos

17 de abril de 2009

Ok, sei que devo escrever mais. Fazer o que se o que mais gosto é de fotografar? Mostrá-las, pois!

Eis os últimos ábuns adicionados, do mais recente pro mais antigo:

Motueka

o que tenho feito no último mês: colhido maçãs, pedalado:

Nelson Lakes

caminhada de 3 dias que fiz com os amigos do Vistara quando as maçãs deram uma folga

Bali Baik

passeio de bicicleta pelos vilarejos de Bali. Fiz no último dia da viagem, pra fechar com chave de ouro

Norte e Leste de Bali

aluguei uma motinho - não levei minha bici pra lá.. - e saí pela ilha (que é relativamente grande, 150 km de ponta a ponta). Campos de arroz, vulcões, chuva, água termal, floresta tropical, mergulho…

Breve (?) relato disso tudo!

Recepção calorosa para cicloviajantes

2 de abril de 2009

Outono.

Na estrada

Quem ao menos uma vez já viajou de bicicleta, pôde sentir a atmosfera mágica que parece rondar quem se desloca sobre uma bici. Pode soar estranho, mas estar ali, daquele jeito, tem o poder de arrancar sorrisos - dos outros e de nós.

Porém nem tudo são flores… quem em um dia já pedalou intermináveis km contra vento, encarou uma montanha que mais parecia um tobogã ao contrário ou girou desde a manhã até a noite sob a chuva, já sentiu na pele - nos músculos, na barriga, no cérebro - que diferença fazem um bom jantar, uma troca de idéias, um teto. E claro, um bom banho, de preferência quente!

Já pensou viajar de bicicleta e a cada cidade que chegar, houver alguém pronto a te receber, que também curte viajar, ainda mais se for de bicicleta, e fará o tudo pra que seu tempo ali seja o melhro possível, pois sabe como por experiência própria o que é estar na estrada de bici?

Partindo da vontade de encontrar uma “casa” a cada parada nas viagens que o canadense Roger Gravel começou, há mais de 12 anos, a coletar endereços de cicloviajantes. O Warmshowers (literalmente, “chuveiros quentes”) nasceu como uma lista de e-mails e localidades que seu fundador manteve “na unha”, com o tempo a coisa evoluiu muito e hoje é um site que lista mais de 7.000 usuários ao redor do mundo, com mapas, busca por local, afinidades, etc.
Redes de hospitalidade para viajantes não são novidade, as principais hoje são Hospitality Club (”Clube da Hospitalidade”) e Couch Surfing (”Surfar em sofás”). A grande diferença do WS é que cicloviajantes são como uma grande família, fazemos de tudo pra ajudar uns aos outros, pelo prazer de ver alguém chegando com a bici carregada, cheio de empolgacão e histórias pra contar.

Quem viaja, além da calorosa recepção, recebe boas dicas sobre o que fazer e por onde ir - afinal, seu anfitrião além de ser pedal-viajante mora ali, e provavelmente conhece muito mais atrativos na região que você ou o livro que você carrega. Também é possível que ele tenha aquela ferramenta ou parafuso que você tanto precisava… Isso sem contar a economia com hospedagem!

Adiós San Francisco! by you.

Com John Merlo na Golden Gate

Sou membro do WS há uns 5 anos, porém até hoje não havia recebido contato de ninguém do site - isso morando em Floripa, cidade cheia de cicloturistas. Mesmo assim, já havia hospedado viajantes que conheci nas ruas com seu inconfundível estilo Caracol, e fiquei diversas vezes na casa de conhecidos em minhas viagens, e como é confortável!

Eis que estava nos Estados Unidos, me preparando pra vir para a Nova Zelândia, quando resolvi debutar no WS. Em uma pequena viagem de 3 dias que fiz a Point Reyes pra testar o novo quadro da minha bicicleta, fiquei na casa de John, por coincidência eu também fui seu primeiro hóspede. Ficamos ambos muito felizes, ele pela surpresa de receber um viajante com várias histórias pra contar, eu por ter alguém que me buscou na entrada da cidade, ofereceu um ótimo banho com direito a toalha macia, jantar (e café) de responsa e uma cama confortável. Pra completar, um bom papo e um pedal na manhã seguinte até a saída da cidade, perfeito

Val & Don by you.

Ws também é cultura - ao fundo, as pinturas de Val

Com o sistema testado e mais que aprovado, procurei por anftriões na Nova Zelândia e os quatro com quem estive - David em Auckland, Gary em Wellington, Don & Val em Picton e David em Nelson abriram as portas e sorrisos para minha chegada. Muito mais confortável que um camping, bem mais rico que qualquer albergue!

Espero que a rede do Warmshowers aumente no Brasil, e se você for fazer uma viagem de bici, nem que seja pra cidade vizinha, procure se não tem alguém inscrito lá! Se for louco por cicloviagens, gostar de conhecer e ajudar aventureiros, ofereça um cantinho em sua casa pra outros viajantes. Se não der, pode ser até mesmo um bom papo e dicas, sempre valiosas. O importante é participar e divulgar a cultura da viagem de bicicleta!

Aproveite, se inscreva no site e comece a oferecer e receber chuveiro quente. Ah, e ainda estou esperando um viajante aparecer lá em casa..  moro em Floripa, nada mal hein?  Meu perfil é  http://www.warmshowers.org/users/edugreen Só espere até junho pois até lá estarei girando por aí..

Cicloabraços e bons pedais, nos vemos lá em casa - ou na tua ;)

A cozinha das bicicletas

23 de fevereiro de 2009

* escrito sem acentos, estou no exterior

Garfo, mesa, oleo e ate panela. Se juntarmos o vocabulario do mundo da bicicleta com a fome que da depois de pedalar, eh bem facil terminarmos o dia na cozinha.

Bike Kitchen by you.

Eh isso que muita gente em San Francisco, entre outras cidades nos Eua (e ate Sao Paulo!), fazem tres vezes por semana. E nao eh para fazer um lanche, e sim para trocar receitas. Moqueca, pizza, bolo? Nao, as receitas que se trocam na Bike Kitchen sao para consertar o pneu furado, regular o freio pra nao voar ladeira abaixo, tirar aquele barulhinho irritante da corrente, aprender a altura certa do selim.

Bike Kitchen by you.

Prato pronto ou vara de pescar?

No melhor estilo “nao entregue o peixe, ensine a pescar”, na BK ninguem faz nada por voce. Tocada por voluntarios que amam bicicletas e que acreditam que pra aumentar o numero de ciclistas nas ruas eh preciso espalhar o conhecimento sobre magrelas, ali voce entra pra sujar a mao de graxa e aprender, sai sem ficar na roubada quando sua bici tem um problema.

Bike Kitchen by you.

Pode ser coisa pequena, como freio desregulado, pneu furado, barulhos - neste caso, voce paga 5 dolares e pode usar a oficina por um periodo.

Eh possivel tambem usar a oficina quantas vezes quiser como local de manutencao, pagando uma anuidade.

Minha nova bicicleta velha

Mas a oficina, completissima, vai bem alem. Se voce nao tem bicicleta ou quer ter uma segunda, por 40 dolares recebe-se o ” direito de cavar”, que permite montar uma bicicleta inteira, a partir do zero.

Alimentada por doacoes das lojas de bicicleta, que mandam para a BK as pecas que seus clientes trocam - a maioria em bom estado - a oficina tem uma infinidade de opcoes em pecas, que voce pode ir juntando ao seu “frankenstein” sem pressa, desde que voce trabalhe nela pelo menos uma hora a cada duas semanas. Justo nao?

Bike Kitchen by you.

Bicis verdes

A sustentabilidade aflora em cada canto da BK: os liquidos usados para limpar graxa nao tem quimica, sao feitos a partir da casca de laranja. As pecas usadas para consertar e montar bicicletas, que sao as sobras das grandes lojas da cidade, seriam descartadas na sociedade super-consumista dos Eua. Alem de cabos de freio e camaras de pneu, nada eh vendido na oficina, ou voce conserta o que ja tem ou poe uma peca usada.

Bike Kitchen by you.

Neste momento, 22 de janeiro, 11 da manha (horario de SF), a Bike Kitchen esta mudando de lugar, pois o atual espaco ja nao comporta tantos ciclistas querendo meter a mao na massa. Para levar todas as ferramentas e pecas para o novo local, seria necessario um grande, poluente e custoso caminhao. Mas alem das implicacoes obvias, essa solucao nao combina com a filosofia DIY (faca-voce-mesmo) do grupo, assim os organizadores chamaram todas as carretas, alforjes e mochilas para fazerem juntas a mudanca para o novo e mais amplo local.

A ideia nao eh nova, a Shift2Bikes de Portland jah organizou a mudanca de casa de varias pessoas usando a bici, mas que eu saiba eh a primeira vez que vao levar uma oficina interia desse jeito! Quando a Dalia (minha querida magrela) ganhou um quadro novo, a BK foia sala de operacao, e levei as pecas para la no melhor estilo move-by-bike (com a carreta que em breve estara circulando pro Floripa!):

De alma renovada by edugreen.

Vida longa a Bike Kitchen, tomara que tenhamos logo muitos espacos como esse no Brasil!

Iniciativas semelhantes

Agito nos States.. até o último momento!

15 de dezembro de 2008

Tem horas que a inspiração pra escrever não aparece.. foi o que aconteceu nos últimos dois meses nos Estados Unidos. E não foi por falta de acontecimentos. Talvez a cabeça estivesse ainda processando tudo, agora no sossego da ilha tudo ficou mais fácil!

Mas voltemos à Califórnia. Nossa estada em Mendocino (ver o post anterior)  era para ser curta, 2 a 3 dias. O encontro com Chimi e Rich foi o início do prolongamento, compartilhamos com eles o camping de verão pra crianças, com direito a Hot Tub em meio à floresta.

Que tal nós dois... by you.
Hot tub in Mendocino Woodlands

Ficamos mais alguns dias na cidade pra curtir o aniversário da Tati, remando na costa e no Big River de Mendocino,  e escrever uma matéria, que até agora não vingou. O enfoque é na arquitetura charmosa, na natureza exuberante com costões escarpados e rios azul turquesa, e nos artistas hippies que mudaram pra lá nos anos 70 e ficaram. Foi no Frankie’s, mistura de sorveteria e casa de shows e reduto dessa galera autenticamente hippie, que conhecemos Liz, radialista que comanda um programa de world music, uma apaixonada por música brasileira e que nos acolheu de braços abertos.

Polinésia? by you.
Mendocino Big River

Sabendo da nossa necessidade de trabalho para continuar viajando, Liz e seu namorado, Frank, agilizaram de irmos pra casa dele, na Lost Coast, pois os vizinhos plantam maçã e precisavam de ajuda nessa época. E lá fomos pra Whale Gulch, localidade sem mercado, padaria, bar, nem eletricidade! Só uma escola, plantações e geradores. A casa do Frank, onde ficamos sem nenhum gasto além de comida, é movida a energia solar e uma micro hidrelétrica.

Frank & the Lost Coast by you.
Frank e a (quase) inacessível Lost Coast

Alguns dias de trabalhos como picar lenha e cavar buracos, logo chegou a hora de trabalhar na colheita, foi ótimo com 10h por dia logo juntamos a grana da passagem para a Nova Zelândia. Nesse meio tempo, Tati fez um corte no pé e no penúltimo dia eu caí de bicicleta, me ralando todo principalmente no punho e joelho esquerdo (sempre ele!), até com uma suspeita de fratura no punho. Já era hora de sair do “meio do mato” e a carona com Liz foi providencial. Eita tempo de benção e zica!

DSC_6968 by you.
Liz, the goddess of the station

Seguimos de Mendocino pra San Francisco de ônibus já que eu não podia pedalar. Cuidei bastante dos machucados, pois já estava chegando o dia de meu aniversário, 31 de outubro e Halloween, e nesse ano caiu na sexta-feira, dia da Critical Mass (bicicletada). Imagina, dois ícones de San Francisco, Halloween e Critical Mass, e nós lá!Já conseguia dobrar o joelho e a ameaça de fratura deixada pra trás. Pra exorcisar, minha fantasia foi de múmia/acidentado, depois nem queria mais olhar… a pedalada foi ótima, altíssimo astral, todo mundo fantasiado, muita música, lindo!

De tudo mesmo.... by you.
Tem de tudo na Critical Mass, especialmente no Halloween!

Dois dias depois, participamos da procissão do Dia de Los Muertos, a tradição mexicana de finados, que parecendo um desfile de carnaval, cultua os mortos e celebra a vida. Nossa guia para a procissão foi a Adriana, mexicana “da gema”, o que deu uma dimensão extra para a noite, com pré e pós festa.

Mona @ high style by you.

Mona Caron e seu companheiro em grande estilo

Nas semanas seguintes, em meio à aliviante vitória do Obama, preparativos para a nova fase: Nova Zelândia. Nos Estados Unidos viajei com uma carreta pois o quadro da Dália não aguentava tantos alforjes. Depois de me informar como era na NZ (acostamentos estreitos, menos respeito dos motoristas), resolvi por trocar o quadro da bici, operação complexa! Pra minha sorte o Jon, que de me hospedou por vários dias em sua casa, tinha uma Scott Sub novinha, bicicleta de cidade que estava sub-utilizada e concordou em trocar de quadro, os dois sairam ganhando, ele que ganhou um quadro urbano bem legal e confortável, com suspensão no garfo e selim, e eu que resolvi o problema de carregar meus alforjes e ainda com um quadro esperto e zerado.

De alma renovada by you.
A velha e nova Dália

Fiz todo o trabalho na Bike Kitchen, local onde ninguém faz nada por você: te ensinam a mexer em tudo na bicicleta, em uma oficina super completa, em troca de uma taxa super camarada. E se quiser, nem precisa pagar: basta ajudar outras pessoas a terem mais intimidade com suas bicicletas. Maravilha de iniciativa!

Bike Kitchen by you.
Bike kitchen - conhecimento para tod@s

Faltava testar, e fiz uma viagem de 3 dias na região de Point Reyes, local onde a falha de San Andreas - o encontro de placas tectônicas que faz a região tremer com tanta freqûencia - passa da terra pro mar. Ao sul, o terremoto é bem debaixo das casas (San Francisco em 1906 e 1989), ao norte eles criam tsunamis como o que lavou Crescent City nos anos 60. A região é maravilhosa, praias desertas e montanhas altas, tudo em meio ao fog… e a nova Dália foi aprovada, girou perfeito com toda a bagagem, pronta pra nova fase. Na volta pra San Francisco, tive minha primeira experiência no WarmShowers (site de troca de hospedagem para ciclistas) na casa do John Merlo, super atencioso e tão empolgado quanto eu, que fui seu primeiro hóspede através do grupo.

Na estrada! by you.
A estrada é o destino

Pra coroar a temporada nos Estados Unidos e San Francisco, nada melhor que uma pedalada com Chris Carlsson, que nos guiou em um Tour sobre a história do transporte coletivo da cidade, parte do seu excelente projeto Shaping San Francisco. Deu uma vontade de estar no pedal da história da ecologia, mas já estava aqui na Nova Zelândia….

Chris & Chris by you.

Chris aponta Chris no mural de Mona Caron sobre o transporte em SF

Prazer em conhecer, Estados Unidos! Quebrei vários preconceitos, graças às pessoas tão simpáticas e criativas que conheci nesses meses lá. E agora posso afirmar: vai ser bom voltar!

Últimas fotos da California

World Friends (atualizado)

Critical Mass (bicicletada) de Halloween

Dia de Los Muertos

Todas as fotos da viagem

Califórnia é definitivamente terra de surpresas

30 de outubro de 2008

Depois de 10 dias na estrada descendo a Costa do Oregon, no dia 3 de Setembro cruzei a fronteira para o estado da Califórnia e encontrei a Tatiana, que estava em uma fazenda próxima a Losa Angeles. Novo estado, nova viagem: num ritmo mais relaxado, curtimos a incrível região das sequóias (redwoods), a Costa Perdida e nós mesmos… ficamos uma média de duas noites em cada camping, desde Crescent City até Mendocino.

Nossa primeira parada foi no Jedediah Smith State Park, junto ao Smith River, cuja água fria e cristalina nos chamou para nadar, idéia prontamente aceita por mim, Tati e Curtis, um amigo que fiz durante a pedalada no Oregon. Também visitamos o Stout Grove - um dos mais lindos bosques de sequóias que vi - e pedalamos pela Hawland Hill road, serpenteando entre árvores realmente gigantes.

Smith River

Depois de Crescent City nós pulamos um trecho da estrada de ônibus para evitar umas montanhas muito altas - muitos dos ônibus urbanos daqui têm um rack pra bicis no pára-choque dianteiro, fica fácil. Pedalamos por uma estrada bem tranqüila até Elk Praire (Prado dos Alces) no coração do Redwoods National Park. Lá deixamos nossa bagagem e nos dvertimos descendo a trilha para a praia e o Fern Canyon, onde vimos um alce muuuito grande, selvagem. No dia seguinte visitamos o Cathedral Trees Grove, outro lugar incrível para estar entre - e mesmo dentro - das sequóias.

Cathedral Grove

De volta à beira-mar, passamos uma noite em Patrick’s Point, lugar lindo e pratcamente vazio, com costões verticais e uma aldeia indígena. Chegamos à noite e seguimos o ritual: armar a barraca, guardar a comida na caixa metálica à prova de ursos, tomar banho.

No Oregon, os chuveiros eram grátis, na California eles custam 50 centavos a cada 5 minutos, um preço tbaixo considerando que o camping para ciclistas e caminhantes custa só $3. O problema é que o chuveiro funciona à moeda e só tínhamos 50 centavos trocados, então tivemos o banho mais rápido da história, 5 minutos para os dois, e ainda terminamos cheirando bem…

Patrick’s Point

O caminho entre Patrick’s Point e Arcata foi demais, pedalamos quase todo o dia longe da Highway 101, em estradinhas sinuosas. Depois de Trinidad, o caminho alternativo estava fechado - só para carros! Otimo para nós, que pudemos curtir o visual sem preocupação até Clam Beach.

Em Arcata já tínhamos um contato, Richard, um “nômade dos tempos modernos” que estava na casa de amigos. Esta era mais do que as casas de estudantes que encontramos em uma cidade universitária, seus moradores são artistas, pessoas espiritualizadas e “cool”. Um dos moradores, Rio, fez aniversário bem quando estávamos lá e tivemos uma festa super divertida.

“República” Buttermilk

No outro dia, dormimos em meio a girassóis na Arcata Educational Farm (fazenda educativa), um projeto comunitário coordenado pelo Rio, onde as pessoas mantém a fartura da fazenda e os três trabalhadores comprando cotas da produção. Tivemos sorte de presenciar o trabalho das meninas, que colheram e organizaram em cestas a produção da semana para os “acionistas”, lindo projeto!  Alguns contatos via internet e compras atrasaram nossa partida de Arcata para as 15h, passamos rapidamente por Eureka - sim, isso é nome de cidade aqui! A chegada em Ferndale foi meio dramática, em meio ao nevoeiro e lusco-fusco.

Sarah & a abóbora gigante na AEF

Saímos do camping com toda a bagagem arrumada pra seguir viagem, mas aco chegar no centro da cidade vimos que é tão legal que resolvemos ficar mais um dia. Exploramos o Kinetic Race Museum - corrida maluca de veículos movidos a pedal que, em 3 dias, atravessam dunas, lama e até cruzam a baía ao sul de Arcata, tudo a pedal nas engenhocas mais esquisitas e bonitas. A cidade é conhecida por seu casario Vitoriano, preservado desde o início do século XX, e no tour fizemos a parada obrigatória no cemitério da cidade, no alto do morro, onde fizemos um delicioso e silencioso lanche. O nosso retorno ao camping foi tão surpreendente que não cobraram a segunda noite…

Algumas das máquinas malucas do Kinetic Museum

Na manhã seguinte, enquanto nos alongávamos presenciamos uma cena curiosa: o time local de futebol americano, totalmente uniformizado, desceu de duas vans e começou a treinar bem na nossa frente, batendo as cabeças uns nos outros (de capacete) para o tradicional jogo de sábado de manhã. Esticados, nos mandamos para o Poppa Joe’s, restaurante que nos serviu o autêntico café-da-manhã americano: ovos, bacon e panqueca, mingau de aveia com passas e amêndoas.

Ferndale vista do cemitério

Estômagos cheios - talvez um pouco demais - giramos devagar ao lado do rio Eel, passando por Scotia, cidade totalmente construída com Redwoods, e por causa delas - é a cidade-dormitório de uma gigante madeireira. Felizmente houve pessoas que lutaram pela preservação dessas árvores - como Julia Butterfly, que passou 738 dias na copa de uma Redwood para salvar um imenso bosque. Logo depois da assombrosa fábrica engolidora de toras e cuspidora de tábuas, entramos na Avenue of the Giants, uma pedalada de 50 km em meio a árvores mais que centenárias, algumas milenares, em lugares como Founders Grove, onde um conjunto impressionante de árvores em pé e naturlmnte caídas fazem desse bosque um lugar muito especial, nós quse ficamos por lá para dormir no oco de uma sequóia - cabíamos nós dois deitados lá dentro!

Tall & fast @ Ave of Giants

Mais algumas noites entre as gigantes nos campings Burlington e Richarson Grove, depois iniciamos nosso duro dia rumo à costa, em que subimos mais de 700 m acumulados, a maior parte ao longo da sinuosa e tranqüila Highway 1. A descida de mais de 15 km para Rockport fez a escalada ter valido a pena, e nessa noite dormimos ao som das ondas e sob a luz da lua crescente.

O sol nos deu um lindo bom dia depois de alguns em meio a nevoeiros, nesse dia não resisti e dei alguns rápidos mergulhos no congelante oceano pacífico. A pedalada dali até Fort Bragg nos deixou sem fôlego a cada curva, me parte pelas curtas e íngremes subidas, mas principalmente pelo visual inacreditável. Chegamos com o sorriso nas orelhas em Mendocino, cidade da qual já tínhamos dicas sobre sua beleza, e planejamos ficar lá por alguns dias, que se extenderam… mas essa história continua no próximo post ;)


Fort Bragg

Todas as fotos estão no meu álbum de viagem Flickr  http://www.flickr.com/photos/edugreen/collections/72157606824713655/, no álbum “California Coast”

Es gibt schon viele Informationen!

29 de outubro de 2008

No início desse ano, recebemos em Santa Catarina a visita da jornalista alemã Judith Weibrecht, em uma ação articulada pelo Eldn Jung de Blumenau. Ela veio conhecer o “mundo da bicicleta” catarinense, tanto o uso nas cidades como o cicloturismo.

Brasilien - Radhandschuhe
Foto: Judith Weibrecht

Saiu agora o sétimo artigo publicado na Alemanha com informações dessa visita, acesse para treinar seu Deutsche ou só pra olhar umas figurinhas (eu apareço em uma das fotos, tem que adivinhar qual ;) . Caminhos do Sertão, nossa operadora de cicloturismo, também foi citada para levar a alemãozada a girar pelo Vale Europeu. Legal!

Garoto, eu vim pra califórnia… mas antes, girei 10 dias pelo Oregon!

16 de setembro de 2008

Depois de juntar uma grana montando motores elétricos pra bicicletas de carga e pegar um ônibus até o litoral, retornei ao mais puro “movido a feijão” no litoral do Oregon.

O estado, não muito conhecido por brasileiros, não deve nada à vizinha Califórnia em relação à sua beleza. Diversos parques estaduais ao longo do caminho, muita diversidade de paisagem e um ótimo clima fizeram os dias passarem rápido como a Dália, impulsionada pelo vento Norte a favor.

O litoral do Oregon é bem recortado, com muitas falésias e ilhotas, que muitas vezes lembram Angra dos Reis e até mesmo a Polinésia. Seria o paraíso, não fosse a água congelante. Não entrei no mar nenhuma vez, senão ia parar no meio das colônias de focas e elefantes marinhos…

Na maior parte do tempo, a Rota de Bicicletas da Costa do Oregon é percorrida às margens da US 101, irmã da nossa BR 101, talvez um pouco mais conservada, porém um tanto perigosa nas pontes e diversos trechos sem acostamento, ainda mais trafegando com uma carreta. O asfalto, confesso, foi bem vindo, a pedalada rende mais e a bici gira redondo, porém senti muita falta do sossego que temos nos nossos caminhos do sertão.

Bem, sem muitas delongas senão não vou publicar esse post, as fotos mostram melhor como foi esse trecho da viagem.

Agora sigo pela costa norte da California com minha amada Tati, em alguns dias chegaremos a San Francisco e contarei mais como é pedalar em meio às sequóias de mais de 100 metros de altura e 2 mil anos de idade…